Aseleção nacional de futsal qualificou-se ontem para a final do “Campeonato da Europa”, evento que está a decorrer em Liubliana, na Eslovénia, e que terminará no próximo fim de semana. “Estarmos” nesta final, decorre da qualidade atual dos atletas e equipa técnica que compõem esta delegação, da sua estrutura dirigente, e em muito, da estratégia da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para todas as áreas da sua responsabilidade.
Já usei por várias vezes este espaço para elogiar o trabalho da FPF desde que Fernando Gomes e a sua equipa assumiram a liderança do Futebol e suas variantes. Mas nunca é de mais valorizar o que é bem feito, e sobretudo, informar como foi planeado e como é feito este trabalho no terreno.
O futebol e sua Federação, tanto criticados no passado pelo seu isolamento do mundo desportivo, pela arrogância dos seus dirigentes, e invariavelmente beneficiado pelo poder político em detrimento de todas as modalidades, conseguiu fazer esquecer estes rótulos e ser hoje um exemplo de como deve funcionar uma Federação com Estatuto de Utilidade Pública Desportiva.
A FPF percebeu que não há unicamente uma ou duas clientelas a satisfazer, fáceis de gerir com pequenas benesses para manter o poder. Há vários públicos e um mercado sempre novo por explorar. São os destinatários do produto final de uma Federação, principalmente os atletas, que têm que estar satisfeitos, a praticar uma atividade de que gostam, independentemente do nível, em espaços e enquadramento com qualidade, com quadros competitivos aliciantes.
Para o ciclo de 2012-2016, a FPF iniciou e um processo de Planeamento Estratégico, em que o principal objetivo seria o de ser a modalidade de Pavilhão mais praticada em Portugal. Foram ouvidos e questionados de forma individual os dirigentes, treinadores, árbitros, atletas e ex-atletas, e outros técnicos de apoio à modalidade, ninguém ficou de fora da construção de um produto que se queria melhor.
Foram apresentados e discutidos resultados, apontados caminhos, objetivos e metas. Todas as “partes interessadas” foram ouvidas, desde a unidade básica do clube, associação distrital, representantes de agentes da modalidade, e setores como o desporto escolar e o desporto universitário.
O Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Futsal, que teve a sua apresentação pública em 2012 e está em implementação desde então, é um compromisso de atuação de toda e para toda a comunidade de praticantes e agentes desportivos, está orientado para a promoção e desenvolvimento dessa modalidade desportiva e nos mais diversos âmbitos de atuação.
Hoje, com mais de 30.000 praticantes federados, o futsal regista uma tendência para o crescimento sustentado, com um aumento da percentagem de atletas dos escalões de formação face aos jogadores seniores, quer masculinos, quer femininos.
Os resultados desportivos ao mais alto nível, como o que estamos a presenciar neste Europeu, não são fruto do acaso, mas de uma aposta estratégica, aceite por todos e defendida dentro da Federação, e claro, pelo excelente trabalho da Pedro Dias, responsável pelo Futsal na FPF, e que torna esta modalidade verdadeiramente especial.
Autor: Fernando Parente
Futsal, verdadeiramente especial
DM
9 fevereiro 2018