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Futsal - bicampeão europeu e mundial. Porquê?

Foi interessante ver meios de comunicação que ao longo do ano só “veem” futebol e três clubes, acotovelarem-se, juntando-se à festa, obrigando os atuais campeões mundiais e bicampeões europeus a desdobrarem-se em entrevistas. Estes, como habitualmente, acederam, divulgando a modalidade e “alguns segredos” do sucesso, por forma a que mais crianças e jovens sejam atraídos para a sua prática e mais adultos para as suas bancadas.

Houve, no entanto, quem não demonstrasse um mínimo respeito pela modalidade nem pelos entrevistados, não se preparando minimamente para a função. Se a seleção se preparasse da mesma forma, não teria ganho o Europeu, pois nem sequer estaria na fase final. Das melhores que ouvi, entre muitas outras, foi falarem de “perdas de tempo no futsal”, e de um tal sistema tático de 5:4:3:2 no futebol. Imaginem a surpresa do entrevistador quando teve respostas, como: recentemente, num jogo particular com a Espanha perdemos por 6-0 e foi a mais recente aprendizagem. Ou ainda: nos primeiros tempos de Jorge Braz a liderar nós, jogadores, fizemos a vida negra ao selecionador, por não acreditarmos no processo. Ou então: enquanto houver respeito pela modalidade e pelo adversário, que não é inimigo, esta sai prestigiada e valorizada. Quando um dos capitães se expressa desta forma, percebem-se melhor alguns dos motivos que levam aos sucessos frequentes do nosso futsal - aprender com derrotas, (ter de) acreditar em quem lidera e respeitar modalidade e adversários.

Só estranhará esta sinceridade quem não tiver ouvido o selecionador, quando questionado sobre a última situação defensiva de 4 x 5 com a Rússia, dizer: não havendo determinado jogador deles, em campo - Robinho - desconhecia os comportamentos que iriam ter e disse-o aos nossos atletas, “não sei o que eles vão fazer, mas sei que vocês são capazes de antecipar e resolver novos problemas com o que treinamos, adaptarem-se e encontrarem as soluções adequadas”. Quantos treinadores há, capazes de dizer isto e, com esta simplicidade, darem o mérito todo aos jogadores?

Percebem agora a postura do selecionador quando, enquanto aguarda a entrega das medalhas, descontraidamente come um pastel de nata no pavilhão, ou diz: temos que nos divertir e ser felizes naquilo que fazemos. E complementa: no entanto, se não trabalharmos mais e melhor não voltaremos a ter sucessos porque os outros sabem que para nos vencerem também têm de trabalhar mais. Talvez por isso, Pedro Dias, outro dos rostos destas conquistas, quando terminou a final, destacou nas redes sociais, datas e compromissos importantes da modalidade: europeus feminino e de sub 19 masculino e a final a 4 da Champions.

Anteontem soube-se que - não por acaso - seremos novamente anfitriões do Mundial de futsal Universitário em 2022, no Minho (UM – Braga e Guimarães).

Ou seja, todos sabem o que os tem levado a diferentes e brilhantes conquistas, e o que necessitam para sonhar com novas.

Parabéns, pois, à FAMÍLIA (cada vez mais numerosa) do futsal.


Autor: Carlos Mangas
DM

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11 fevereiro 2022