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Fátima, sempre foi, já é e será sempre mais (8) - Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal

Estou cada vez mais convencido de que fomos sempre apaixonados e fervorosos de Nossa Senhora perante a reflexão que vou fazendo com a leitura da obra “Fátima Altar do Mundo”, base destas minhas crónicas. Estamos no mês da festa (8 de Dezembro) da Imaculada Conceição, doutrina que teve o seu auge de maior desenvolvimento, neste nosso espaço peninsular, nos séculos XVI e XVII, com Filipe II, 1598 – 1621, (o Pio pelo seu sentimento religioso) a reforçar na Santa Sé um sentimento maior para a definição do dogma da Imaculada Conceição, Nossa Senhora concebida sem pecado original, cheia de graça desde o primeiro momento da sua existência. A concretização destes anseios veio a acontecer, mais tarde, com o Papa Pio IX, a 8 de dezembro de 1854, proclamando o que sempre fervilhou no coração de toda a cristandade. Em 1858, Maria declara-se, em Lourdes, a Bernardette Soubirou, dizendo «Eu sou a Imaculada Conceição.» Esta aparição, num espaço de quatro anos da proclamação do dogma, vem, como que a confirmar, esta verdade (dogma) que o cân. 749 do Direito Canónico diz ser «o pronunciamento definitivo e infalível de verdades da fé e da moral como reveladas, feito pelo supremo magistério de Igreja.» Realça-se que Filipe II, terceiro de Espanha, para fundamentar o seu pedido, já referido, fez movimentar Universidades e teólogos da Península para aprofundarem e revelarem o seu sentir no que concerne a esta já tão enraizada convicção da Conceição Imaculada nestas terras de Maria. Há documentos, segundo a obra que estou a ler e não só, que relatam, desde essa altura, o surgimento de um maior número de reflexões, sobretudo na Universidade de Coimbra, demonstrando a doutrina da Conceição Imaculada. Sermões escritos proclamados, com eloquência, por lentes das diversas faculdades na festa do dia 8 de Dezembro. Dou, como exemplo, o Dr. Fr. Egídio de Apresentação, um grande teólogo e Vice-reitor da Universidade de Coimbra, que, em 1617, escreve:« Há 60 anos que conheço esta nossa florentíssima universidade; pois em todo este lapso de tempo nunca nela conheci ninguém, que defendesse a opinião contrária a este privilégio de Maria, não só publicamente nas escolas, mas nem mesmo em palestras particulares.» O próprio Filipe II de Portugal comunica à Universidade de Coimbra que enviou a Roma uma embaixada para pedir ao Santo Padre a declaração do mistério da “puríssima Conceição da Virgem Nossa Senhora”. No dia 9 de dezembro de 1617, o reitor, lentes das faculdades, deputados e conselheiros reuniram para agradecer ao rei todo o empenho no abraço desta causa e, logo, no dia 16 de dezembro, escreveram ao Papa a dar conhecimento da sua convicção, apoiando a iniciativa do monarca. O rei retribuiu, incentivando e dando autorização para que, por todo o reino, se espalhasse esta doutrina, colocando lápides em todos os concelhos a dizerem: « A VIRGEM MARIA NOSSA SENHORA FOI CONCEBIDA SEM PECADO ORIGINAL. » A nível do clero, faz-se o juramento na defesa da doutrina da Conceição de Maria, em 30 de setembro de 1634, no sínodo diocesano da Guarda (Bispo D. Fr. Lopo de Sequeira Pereira); em Braga, a 14 de junho de 1637 (Bispo D. Sebastião de Matos de Noronha) e em Coimbra (Bispo D. Joane Mendes de Távora), em 8 de março de 1639. D. João IV, assistiu, pela primeira vez, como rei de Portugal na capela real, à festa da Imaculada Conceição e o orador, franciscano Fr. João de S. Bernardino, além de vincar toda a tradição da fé em Maria dos seus antecessores, exortou-o a agradecer todos os feitos e a implorar a proteção da Virgem, concluindo com estas palavras: «Seja assim, Senhora, seja assim, e eu vos prometo, em nome de todo este reino, que ele, agradecido, levante um troféu a Vossa Imaculada Conceição que, vencendo os séculos, seja eterno monumento da restauração de Portugal.» Esta promessa foi cumprida por D. João IV, proclamando no ano de 1646, em Vila Viçosa, a Virgem Santíssima como Padroeira do reino de Portugal com o título “ Imaculada Conceição”. Desde essa data, os reis de Portugal nunca mais colocaram a coroa na cabeça. Em sessões oficiais, era colocada, numa almofada, no seu lado direito. Na Universidade de Coimbra, o reitor, cumprindo as ordens régias, fez saber que a fórmula dada a todos os graduados começasse pela declaração de «defender sempre e em toda a parte que a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, foi concebida sem a mancha do pecado original.» Esta fórmula vigorou para que obtivessem o respetivo grau académico até à definição da Imaculada Conceição de Maria como dogma de fé, como já foi referido, pelo Papa Pio IX, a 8 de dezembro de 1854. Principal fonte destas crónicas: “Fátima Altar do Mundo”, 3 volumes, sob a direção literária do Dr. João Ameal da Academia Portuguesa da História; direção artística de Luís Reis Santos, historiador de arte e diretor do Museu Machado de Castro, Coimbra; realização e propriedade de Augusto Dias Arnaut e Gabriel Ferreira Marques, editada pela Ocidental Editora, Porto, em 1953.
Autor: Salvador de Sousa
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19 dezembro 2017