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Eucaristia: a maior e mais bela festa dos cristãos

Sendo a eucaristia o banquete do amor da aliança eterna com o nosso Deus, não pode haver para os cristãos maior festa do que a sua celebração. Todavia, porque é que a grande maioria dos cristãos não a vive como tal e se sente até como que desinteressado dela ou não a frequenta mesmo? Num colégio de Málaga, Espanha, os catequistas inventaram uma maneira atractiva de transmitir às crianças e aos seus pais em que consiste verdadeiramente a eucaristia. E então apresentaram-na como uma festa de aniversário natalício. E assim, a primeira coisa que ocorre é saudar as pessoas que entram para a festa. Na missa, fazemo-lo também com o «Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» e «A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo... esteja convosco». Para ir a uma festa, escolhemos uma roupa limpa e boa. Na eucaristia, pedimos perdão ao Senhor para que limpe o que nos afasta do seu amor e do amor aos irmãos. E louvamo-lo pelas maravilhas do seu perdão em nós e em todos, mesmo os que não partilham connosco desta alegria. Uma festa ganha mais sentido quando todos os intervenientes sintonizam o mais possível no querer e no sentir. É o que se pede com a primeira oração, chamada a oração colecta, em que, de alguma maneira, procuramos fazer um ramo com todas as nossas necessidades e também as necessidades dos nossos irmãos. E o sacerdote recolhe, em nome de todos, este 'ramo de flores' e apresenta-o a Deus Pai. É um momento tão importante que estamos de pé, em silêncio, para que a nossa oração se junte com a dos outros, desde o mais íntimo do coração e, assim, a elevemos ao Pai. Numa festa, fala-se com os amigos e escutam-se. É o que sucede quando se proclama a Palavra de Deus: ouvimos o que Deus nos quer dizer. É a chamada Mesa da Palavra. Escutamos a primeira leitura que, nos domingos, a não ser no tempo pascal, é tomada normalmente de um livro do Antigo Testamento, onde se nos conta a relação de Deus com o seu povo escolhido. O salmo responsorial é a resposta coral de toda a assembleia ao Deus que lhe falou. A segunda leitura é normalmente um excerto de uma carta do Novo Testamento. Escutando-a, dar-nos-emos conta do que Deus deseja verdadeiramente comunicar-nos para que a nossa vida atinja plenitude. Mas o 'prato forte' da Mesa da Palavra é o Evangelho. Preparamo-nos para o escutar em assembleia com um cântico, normalmente o 'Aleluia'. A sua escuta em comunidade reunida adquire um valor especial, já que a força do Espírito fá-lo penetrar em nossos corações para que o transformemos em vida, alimentando e revigorando a nossa fé, no 'Credo', e alargando o nosso coração às necessidades de toda a Igreja e do mundo inteiro, na 'Oração Universal'. Podemos então passar para a mesa propriamente dita: o banquete eucarístico. E apresentamos as nossas prendas: o pão e o vinho que Jesus, pelas palavras do sacerdote, transformará no Corpo e Sangue do Senhor. Aí se renova a entrega do próprio Cristo na Última Ceia e o mandato de comemorar esse momento tão especial. Estas palavras, com a acção do Espírito Santo, são o ponto mais destacado da Missa. Não são apenas a narração de um facto do passado. O próprio Jesus Cristo, com os seus gestos e palavras, torna realmente presente a sua passagem da morte à ressurreição. Com Jesus realmente presente no altar, o sacerdote louva e agradece em nosso nome tudo quanto de maravilhoso aconteceu. E a assembleia responde com um 'Amén' caloroso de júbilo e encanto por tudo quanto está a suceder sobre o altar e a assembleia reunida. Um dos momentos mais esperados de uma festa de aniversário é o partir do bolo pelos presentes. Na eucaristia, esse momento é quando comungamos o Pão do Senhor. Um Pão que nos dá a Vida (Jo, 6,35). O próprio Jesus entrega-se-nos como comida que sacia, que nos tira a fome, que nos faz alimentar do seu próprio Corpo, verdadeiro alimento que Jesus nos dá para estar mais intimamente connosco e converter-se no nosso impulso e fortaleza. São momentos especiais de intimidade e gratidão. Sentimo-nos satisfeitos e agradecidos por receber Aquele que se entrega totalmente por nós e a nós, por puro Amor. Jamais agradeceremos o suficiente tamanho dom. Antes de nos despedirmos, desejamos tudo de bem uns aos outros e comprometemo-nos a levar esta alegria aos que encontrarmos na nossa caminhada. São os denominados ritos finais. NR.- O essencial destas reflexões apoia-se num texto inserido na revista 'Vida Nueva', nº 3115, de 26 a 1 de Fevereiro 2019, pag.s 26 e 27
Autor: Carlos Nuno Vaz
DM

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23 fevereiro 2019