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Escolas e pandemia

Devia o fecho das escolas ter acontecido no início do atual confinamento? Penso que sim, porque os imensos aglomerados de pessoas que nelas existem favorecem a transmissão e infeção pelo vírus e são uma permanente ameaça à saúde pública, embora haja opiniões que dizem não ser isso totalmente verdade, mormente nos grupos etários mais baixos (crianças até aos 12-14 anos); contudo, mais vale tarde do que nunca.

Todavia, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, defendeu no parlamento o contrário com o argumento de que o encerramento das escolas prejudica o percurso de aprendizagem dos alunos mais frágeis, entendendo-se por mais frágeis os estudantes com carências socioeconómicas e culturais; o que não deixa de ser verdade uma vez que tais alunos deixam de beneficiar do acesso e proteção diretos dos professores, colegas e comunidade e, em casa, também pouco ou nenhum apoio pedagógico e didático usufruem dos pais e encarregados de educação.

Depois, o compromisso do Governo em dotar os ensinos básico e secundário de computadores continua uma miragem, isto é, longe de se concretizar; e esta é, sem dúvida, a ferramenta indispensável para que o ensino à distância, ou seja não presencial, se possa efetivar com o mínimo desejável de sucesso.

Ainda há que ter em consideração que muitos docentes não dominam total e confortavelmente as novas tecnologias de comunicação e informação ao seu dispor nestas circunstâncias de aprendizagem; e isto se deve, por um lado, à falta de formação que lhes é devida por parte da tutela, e, por outro lado, à sua já avançada idade; como igualmente os alunos mais desprovidos de meios e apoio familiar acabam por não beneficiar pedagogicamente com o ensino à distância.

Ouve-se frequentemente muitos pais e encarregados de educação a queixarem-se de que os filhos têm dificuldade em assimilarem e compreenderem o essencial dos ensinamentos transmitidos à distância, que se distraem muito facilmente, se alheiam dos conteúdos, não têm quem lhes tire dúvidas, os ajude a estudar e lhes transmita confiança e incentivo pedagógico; e, pior ainda, que estas aulas se tornam monótonas, frias, incaraterísticas e distantes, delas resultando uma insuficiente e ineficiente aprendizagem.

Por sua vez, defendia o Governo que, pela experiência já feita, o ensino presencial permitiu concluir que as escolas são locais seguros face ao perigo de transmissão e contaminação pelo vírus; mas, a esta realidade junta-se a certeza de que em fases mais agudas da pandemia, como a que vivemos, e face às constantes mutações do vírus, as preocupações e cautelas devem redobrar e as medidas de contenção não devem ser escamoteadas, mas fortalecidas e redobradas; assim, teve agora que dar o dito pelo não dito e encerrá-las, mesmo sob pressões e controvérsias.

Pois bem, mesmo face às circunstâncias adversas, não devemos ignorar nunca que o ato de educar, ensinar e aprender tem de ser dinâmico e deve fazer-se nas escolas preferencialmente e em contexto de pequenas comunidades como são as salas de aula, para que os alunos possam retirar dele a necessária formação pessoal e social; e só deste modo se impede que ele se não transforme num produto descartável e numa feira de produtos recicláveis; e, de modo algum, o encanto e apego às novas tecnologias em contexto de ensino/aprendizagem pode substituir a relação personalizada. direta e fecunda professor-aluno e aluno-aluno, a atenção ao pormenor, as explicações detalhadas e resolução de dúvidas durante a aula, a interação nos intervalos e o envolvimento dos estudantes na comunidade educativa.

Ademais, não podemos desvalorizar o facto de que no ato educativo assenta a formação integral do respetivo sujeito, para que garantido seja, depois, um futuro de prosperidade, progresso e bem-estar para si próprio e para todo o país; ora, neste contexto , só uma escola viva, ativa e dinâmica que é a escola presencial tem ao seu dispor os meios e técnicas capazes de conseguir o milagre de formar com êxito cognoscitivo , humano, cultural e ético as futuras gerações.

Agora, os problemas que a pandemia tem espoletado e agravado passam por um único óbice: a falta endémica de dinheiro e, consequentemente, de recursos humanos, técnico e profissionais em que sempre temos vivido; e, assim, passando o tempo vamos a abrir e a tapar buracos, de chapéu na mão e mão estendida aos credores e à espera de soluções milagrosas que sempre tardam ou nunca chegam; mas, ao menos, que aprendamos com esta situação e dela retiremos ensinamentos para o futuro.

E pensando bem, isto é, com a cabeça em cima dos ombros e os pés bem assentes na terra, o que seria de nós na situação catastrófica em que vivemos, se não pertencêssemos à União Europeia? Dois exemplos, apenas: quando, onde e como compraríamos as vacinas necessárias para combater a Civid-19? Ou mais prosaicamente ainda, donde nos vinha a tão festejada e famosa bazuca para acudirmos à hecatombe económica e social que já nos aflige? Por isso, os políticos iluminados que por aí pululam, intitulando-se únicos e legítimos defensores do povo e, assim, exigindo a saída do país da União Europeia, que ganhem juízo e desçam à terra e para ele e para o país a que pertencem mais e melhor trabalhem.

Então, até de hoje a oito.


Autor: Dinis Salgado
DM

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27 janeiro 2021