Nestes últimos dois anos, devido à pandemia, houve atividades desportivas que foram suspensas e/ou posteriormente retomadas, algumas delas, inclusive, realizadas em diferentes formatos - fase final da Champions, por exemplo.
Percebeu-se, sempre que possível, a tentativa que as mesmas se realizassem e houvesse um mínimo de justiça nas decisões, levando em conta o trabalho árduo de muita gente que faz do desporto o seu modo de vida – pena que as questões políticas e territoriais não se possam resolver da mesma forma, adiando-se para as calendas gregas as provas de força (militar) e fazendo prevalecer a essência de sermos (e tratarmos os outros como) humanos.
Uma das grandes competições prevista para se realizar em pleno período pandémico, e que, por isso mesmo, foi adiada, está a realizar-se atualmente na nossa cidade dando-lhe um colorido multicultural com alguns milhares de atletas de diferentes países. Refiro-me ao EMACI – XIII European Masters Athletics Championships Indoor, que em português corrente podemos denominar de décimos terceiros Campeonatos Europeus de Veteranos em pista coberta (e algumas descobertas). A cerimónia de abertura decorreu no passado dia 20, no Altice Fórum Braga, sendo a bimilenar Bracara Augusta, a 1ª cidade portuguesa a receber tão importante prova.
A competição tem decorrido em vários locais desde o Altice Forum, ao Centro de Lançamentos Dr. Braga dos Anjos (Camélias), Estádio 1.º Maio, Regimento Cavalaria 6 (corta-mato) e Monte Picoto (marcha e estrada). Provas de atletismo para gente já com idade para ter juízo e que fazendo valer e prevalecer esse mesmo JUÍZO, faz do desporto, neste caso, do atletismo, um modo de vida saudável e complementar. Entre atletas e acompanhantes, a nossa cidade foi invadida (peço desculpa pelo termo) por sensivelmente seis mil pessoas. Atletas de mais de quatro dezenas de países, com idades acima dos 35 anos – o mais experiente com 92 anos - participam em diferentes escalões divididos de 5 em 5 anos e têm, no decurso desta semana, mostrado que a idade é apenas um número e que, através do desporto se pode dar vida aos anos, conhecer o mundo e fazer novas amizades. A nossa vizinha Espanha tem a representação mais extensa (acima de 600 atletas) seguindo-se o nosso país com um número superior a 300 atletas.
Infelizmente nem todos os seres humanos partilham deste sentimento de utilizar a prática desportiva como forma de vida e de convívio, tentando superar-se primeiro a si e só depois, aos outros. Falou-se que a pandemia que tantas vidas ceifou e tantos problemas causou à generalidade das pessoas levaria a mudanças de atitude e postura, diferenciada para melhor, por parte das populações e dos dirigentes políticos e/ou desportivos. Cedo se percebeu que quando do regresso à normalidade, a anormalidade voltou. Se podemos afirmar que a pandemia fez com que se visse o melhor de muita gente, também mostrou que há seres humanos que contrariam, diária e frequentemente, a essência do que é…SER HUMANO.
Autor: Carlos Mangas
EMACI ou o Desporto como forma de (prolongar a) vida
DM
25 fevereiro 2022