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Educar a jogar

É frequente ouvirmos queixas relativas ao estado da educação em Portugal. Que está estagnada, presa a modelos retrógrados e antiquados. Que não se adequa à sociedade atual. É mais frequente ouvirmos queixas do que propostas de soluções concretas para o problema que parece estar identificado.

Em Braga, como em Leiria, porém, houve quem se chegasse à frente e propusesse uma alternativa educativa para o ensino básico, baseado no ensino e estímulo através da prática dos jogos de tabuleiro.

Sob o acrónimo EMEC – Estímulo Mental Emocional e Criativo – a associação Cidade Curiosa propôs-se “inundar” as escolas de Braga com jogos dos mais variados estilos e géneros, recrutando e formando professores para o efeito. O agrupamento de escolas Alberto Sampaio abriu as suas portas à novidade e eis que, um ano letivo depois, centenas de alunos das escolas básicas de Nogueira, Esporões, Fraião, S. Paio de Arcos, Trandeiras e Lomar se podem orgulhar de ter sido pioneiros deste novo método de ensino.

Muitos se perguntarão, desconfiados, sobre que efeito poderão ter jogos de tabuleiro na educação dos seus filhos. A resposta completa daria certamente um texto cuja limitação de espaço me impede de replicar aqui. Contudo, está completamente resumida no próprio acrónimo referido acima.

Em primeiro lugar, é um espaço que permite às crianças brincarem, interagirem com outras crianças, com regras, mas sem preocupações de julgamentos exteriores, um espaço que proporciona a liberdade que as crianças devem ter e que as limitações de tempo atuais muitas vezes impedem.

Depois, e fazendo uso da imensa variedade de jogos de tabuleiro, existentes atualmente, é um espaço que permite explorar e fazer evoluir competências tão essenciais ao crescimento da criança como o raciocínio lógico, a destreza, a velocidade de pensamento, a criatividade, a concentração, o espírito de grupo ou simplesmente o poder de observação. Tudo isto numa hora diária de divertimento construtivo. De educação, vá lá.

A evolução das crianças envolvidas sente-se a cada semana, na capacidade de organização, no cumprimento das regras, na análise aos resultados gerais dos alunos na escola. Chovem os pedidos das crianças e dos pais por mais horas, por mais jogos, que muitos vão a correr comprar logo que a aula termina.

Estão a lançar-se as bases para uma nova forma, não apenas de educar, mas de colocar pais e filhos, grupos de amigos, professores e alunos, colegas de trabalho, juntos a uma mesma mesa partilhando não apenas estratégias de jogo, mas momentos que unem as pessoas, que criam laços, compromisso entre si. Tudo, enquanto evoluem mental e criativamente.

E não é isto que exigimos à educação?


Autor: Nuno Pedro Fernandes
DM

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5 julho 2019