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É vergonhoso

É vergonhoso não considerar os idosos não alarados como prioritários de primeira na vacinação contra o covid-19. Ninguém quis saber quantos são os maiores de 80 anos que vivem com as suas famílias. Foi mais importante para os candidatos ocuparem o tempo de antena a debater tricas políticas do que debater este problema. Esqueceram os velhos por completo. Que vilania e que tristeza! Nem uma só vez vimos ou ouvimos falar desta questão; apenas a Ordem dos Médicos, honra lhe seja feita, - e o nosso muito obrigado-, chamou a atenção para este facto, mas foi água de pouca dura e enquanto durou caiu em cesto roto. A peneira do bem é incómoda porque apura apenas a boa farinha. Por isso eu não vou votar em quem me desconsiderou desta maneira vergonhosa; tomo esta posição com mágoa e dor porque desde o 25 de Abril de 74 que exerço o direito de escolher pelo voto aqueles que julgo serem os melhores para governar o meu País e com ele a cidadania. Não posso crer que um governo que se diz humanista e os que se arvoram de socialistas se furtassem ao incómodo de dizer, “E OS VELHOS”?, aqueles que são tão velhos e por isso tão necessitados como os que estão nos lares? Nem uma referência nos debates dos candidatos à presidência da república; um silêncio cúmplice e frio como uma lápide de sepultura, estabeleceu entre eles uma aliança de aviltamento; todos foram vilãos. Só lhes faltou dizer, descansem em paz. E então pergunta-me a moral ofendida, para que votar em quem te despreza? Não, não vou votar. Reparem que nem sequer me deram a hipótese do voto antecipado. “C`est honte”, como dizem os franceses naquela linguagem que é doce de tom mas verdadeira de conteúdo. Estou revoltado porque não quiseram saber dos velhos e a estes só lhes resta ter uma atitude: se amor com amor se paga, então desamor com desamor se paga. Isto não pressupõe uma qualquer mobilização dos velhos para a abstenção; não há aqui matéria convocatória para a desobediência civil de qualquer espécie, é apenas o grito de alguém que se sente magoado, voz “que clama no deserto” e chora até ao íntimo do seu ser porque julga que não merecia tal desconsideração. Magoaram-me como pessoa e desprezaram-me como eleitor. E lá diz o povo, “quem se não sente não é filho de boa gente”


Autor: Paulo Fafe
DM

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18 janeiro 2021