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Resultados das eleições intercalares legislativas de 2022). Sem grande surpresa, o PS fica em 1.º lugar, com 41% (117 deputados). O PSD é o 2.º, com 29% (78dep.). O Chega é o 3.º, com 7,2% (12 dep.). O Inic.Liberal é o 4.º, com 5% (8 dep.) O Bl. de Esquerda é 5.º, com 4,5% (6 dep.). A CDU é 6.º, com 4,4% (6 dep.). O CDS é 7.º, com 1,7% (0 dep.). O PAN é 8.º, com 1,5% (1 dep.). O Livre é 9.º, com 1,3% (1dep.).
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O PS vence, pois, e alcança maioria absoluta de deputados). Não precisará assim de mendigar alianças com qualquer pequena mas exigente formação de esquerda. Com isto, é que poucos contavam. Porém, votar à esquerda não é para admirar, da parte de um povo com tantas pessoas endividadas. E no meio duma longa pandemia (em que o PS tem navegado menos mal). Perante as alternativas habituais dum PSD e dum CDS, ambos com lideranças fraquíssimas, mas auto-convencidas. Para mais, o PS apenas sobe de 37% para 41% e o PSD mantém os 29%. “Last but not the least”, entrou em jogo o execrável “voto útil”, por parte daqueles que receavam que o PSD conseguisse passar à tangente para 1.º; e os esquerdistas “de nascimento” andavam, desde Valença a Tavira, aterrorizados com a ideia de que o impulsivo e inconstante Rui Rio se lembrasse de repente de chamar o Chega para o governo.
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Sondagens fantasistas a querer influenciar o voto). Os seus autores acertaram no 3.º lugar do Chega; na subida do IL; na queda de CDS, BE, CDU e PAN. Mas, sem razão plausível, profetizavam uma subida do PSD (e descida do PS) ao ponto de um certo dia o PSD até passar para 1.º lugar. Tudo isto bem teatralizado e enfatizado. Eu suspeito que o objectivo era “roubar votos” ao Chega. Induzindo os seus simpatizantes a “votar útil” no PSD (e a não deixar ir o CDS “pelo esgoto abaixo”, o que aliás aconteceu, mas fruto de outras causas).
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O PR Marcelo deve ter ficado “verde”…). Um autêntico “marciano”, naquela noite. E com aquele sorriso amarelo (que antes não lhe conhecíamos) e que, sem querer exibiu, há 2 anos, em certas ocasiões do debate impotente com André Ventura. Veterano e gigantesco “eucalyptus globulus” do nosso regime abrilista, não gosta (nem costuma deixar) que cresçam à sua volta outras árvores que lhe façam sombra. E anda para aí agora uma igualmente exótica “palmeira” de Margão, partido de Salsete, na velha e bela Goa, que (ironicamente contra a vontade dela) tende a crescer demasiado… E tão cedo, parece não haver maneira de o PR lhe dar um jeito…
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A Direita radical alcança o 3.º lugar). A percentagem (7,2%) não foi grande coisa (mas elegem 12 deputados). Isto, uma vez que Ventura já obtivera 12% do voto popular nas Presidenciais. Com sorte, subiria agora aos 15 ou 16% (como o Vox) ou aos 13,5% (e 96 deputados em 600, no Bundestag) como o AFD, na Alemanha. Contudo, foi vítima do “pseudo-voto útil”, em favor dum PSD de Rio que (aparte as sondagens) todos sabiam que nunca ficaria em 1.º. E por isto, nunca seria “voto útil”… O dr. Ventura é um argumentador acima da média. Devido ao “stress” (todos perseguem e caluniam o Chega), deixa-se às vezes empolgar de forma excessiva. Espero que, agora que é a 3.ª força, ganhe mais calma e auto-confiança. Contudo, esta sua falha é desculpável; sobretudo se pensarmos que tem sido repetidamente insultado (e apedrejado) por gente da pequena mas influente comunidade cigana (e do mundo da marginalidade em geral). E não sente qualquer solidariedade da parte do povo português. Mesmo depois deste 3.º lugar, veja-se quantas pessoas continuam a ter “vergonha” de dizer que votaram “Chega”… Quanto ao partido, note-se que há lá muita gente por motivações díspares. E poucos intelectuais. E poucos neo-salazaristas confessos, como conviria.
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O PSD elege uma bancada “riista”). Fieis a Rio, mas desconhecidos do grande público. Vai ser um problema para quem suceder a Rio (espero que seja Hugo Soares ou Montenegro, ou Abreu Amorim e que seja rápido). Rio perdeu muitos votos quando ostracizou o Chega (e assim, as pessoas logo entenderam que nunca haveria maioria de Direita). Rio perdeu todas as 4 eleições nacionais que disputou. Vítima da sua cegueira egocêntrica; incapacidade política; rejeição da tática de ser o PSD a comandar uma “grande coligação de Direita”; eleições internas mais ou menos “cozinhadas”; namoro assumido com o PS; inflexões e originalidades várias (nisto, perdemos agora um político com piada…).
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O jovem “Chicão” leva o CDS à ruína). Inimaginável. Fica com 1,8% e 0 deputados. A intenção terá sido evitar a liderança de Nuno Melo e impedir o grande peso do Norte, dentro do partido. O CDS fica com 6 autarquias e 1 euro-deputado, Nuno Melo…
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A Iniciativa Liberal “rouba” 5% de votos ao CDS e PSD). Um partido retrógrado (adepto do governo universal do Grande Capital) e da Liberdade Individual sem limites (libertinagem); mas que se apresenta como “uma novidade”. Por amor de Deus, já Marx (que era judeu) se afirmava contra este primarismo, há 150 anos… Os seus líderes são elegantes e insinuantes, contudo. De Cotrim Figueiredo a Guimarães Pinto.
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CDU, BE e PAN, em perda). A arrogância e o facciosismo (no caso do BE); o animalismo e vegetarianismo (no do PAN) causam a perda de mais de metade dos seus eleitores. Já a CDU perde votos, mas bem menos.
Autor: Eduardo Tomás Alves