1. O Missal Romano, na sua edição de 2002, chama ao 2.º Domingo da Páscoa, que é o próximo, o «domingo da divina misericórdia».
A decisão de dedicar o segundo domingo da Páscoa à Misericórdia Divina foi anunciada por João Paulo II em 30 de abril de 2000, durante uma homilia para a canonização da irmã polaca Maria Faustina Kowalska. «É importante, disse, que captemos integralmente a mensagem que nos vem da palavra de Deus, neste segundo Domingo de Páscoa, que doravante, em toda a Igreja, se chamará «Domingo da Misericórdia Divina’».
Em 23 de maio de 2000 a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou o seguinte Decreto: «Por todo o mundo, o segundo Domingo da Páscoa irá receber o nome de Domingo da Divina Misericórdia, um convite perene para os cristãos do mundo enfrentarem, com confiança na divina benevolência, as dificuldades e desafios que a humanidade irá experimentar nos anos que virão».
2. No dia 3 de agosto de 2002 João Paulo II, com um decreto da Penitenciaria Apostólica, estabeleceu que o domingo dedicado à Misericórdia Divina «seja enriquecido com Indulgência Plenária», para que os fiéis «possam receber mais largamente o dom da consolação do Espírito Santo e assim alimentar uma crescente caridade para com Deus e para com próximo, e depois de terem obtido o perdão de Deus, sejam levados a perdoar prontamente os irmãos».
A indulgência é concedida aos fiéis que, no Dia da Misericórdia Divina, em qualquer igreja ou oratório, com o espírito separado de todo o afeto ao pecado, mesmo venial, participem nas práticas de piedade que se realizam em honra da Misericórdia Divina, ou que, pelo menos, rezem diante do Santíssimo Sacramento (exposto ou no tabernáculo) o Pai-nosso, o Credo e uma invocação a Jesus Misericordioso (como por exemplo, «Jesus misericordioso, eu confio em Vós!»).
As condições para alcançar a indulgência plenária são as habituais: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração segundo a intenção do Papa.
3. Podemos atribuir ao Domingo da Divina Misericórdia uma dupla finalidade: a de confiarmos na misericórdia de Deus e a de nós mesmos sermos misericordiosos uns para com os outros.
«Sede misericordiosos, assim como Deus é misericordioso, e como Ele manifestou humanamente a Sua misericórdia no Seu Filho Jesus Cristo. Por conseguinte, disse João Paulo II em 17 de abril de 1988, estai sempre disponíveis a acolher quem errou e perdoai de coração a quem vos ofendeu, assim como Deus Pai vos perdoa e vos acolhe».
4. A misericórdia tem sido também um dos temas do magistério do Papa Francisco, o apóstolo da cultura do encontro. Propôs a celebração do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, no termo do qual, em 20 de novembro de 2016, publicou a carta apostólica «Misericordia et Misera».
«O rosto de Deus, tinha lembrado em 17 de março de 2013, é o de um Pai misericordioso, que tem sempre paciência».
«Um pouco de misericórdia, afirmou também, torna o mundo menos frio e mais justo».
«Deus, disse no mesmo dia, é o Pai amoroso que nos perdoa sempre, que tem um coração de misericórdia para todos nós. E também nós aprendamos a ser misericordiosos com todos».
5. Num mundo marcado por gestos de vingança e de violência é imperioso que nós, os cristãos, não vejamos no outro um inimigo mas um irmão. Que vençamos a inimizade com a força do amor. Que cultivemos uma mentalidade e uma prática de não violência, preferindo ao uso da força o caminho do diálogo e a afirmação dos valores. Que sejamos abertos para com os necessitados, os pobres, os marginalizados.
Ser misericordioso é saber perdoar e o perdão é indispensável para uma sadia vida em comunidade. A começar pela mais pequena das comunidades que é o casal.
«O mundo dos homens só poderá tornar-se ‘cada vez mais humano’ quando introduzirmos em todas as relações recíprocas, que plasmam a sua fisionomia moral, o momento do perdão, tão essencial no Evangelho», escreveu João Paulo II em «Deus, Rico em Misericórdia».
Autor: Silva Araújo
Domingo da Divina Misericórdia
DM
5 abril 2018