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“Dinamização cultural”, versão 2018

  1. As novas “campanhas de alfabetização”, 43 anos depois…). Em 1974-75 (aproveitando-se do facto de, nessa altura ainda haver muitos analfabetos em Portugal), o PCP e algumas formações recém-criadas da esquerda radical, organizaram múltiplos grupos de propaganda que percorreram as aldeias mais afastadas, em Portugal, com intuito de fazer uma espécie de “lavagem ao cérebro” aos aldeões. Só que, estes eram normalmente conservadores (às vezes retrógrados, até) e geralmente teimosos (como ainda hoje o são…). E os comunistas procuraram, sem grande sucesso (à excepção do Alentejo) torná-los militantes de esquerda. Só que, a argumentação marxista utilizada e a forma impositiva (com a ajuda da tropa) e nada democrática com que actuavam, provocou por quase toda a parte, a revolta da maioria; e o efeito contrário ao que desejavam. Estas campanhas, do tipo “o Povo e o MFA” foram numerosas e ficaram célebres. Contribuíram porém para que o “povo de Direita” percebesse o que estava para acontecer se deixasse o MFA “à rédea solta”. E já em 75 começou a revoltar-se activamente, de Rio Maior até Braga e Famalicão.

  2. Estão aí agora, as novas campanhas de “alfabetização florestal e incendiária”). Como todas as campanhas deste tipo, o resultado produzido pretende ser outra “lavagem ao cérebro”, imposta aos cidadãos-alvo. Que agora, com a amplificação dos novos “media”, são já toda a população. Com esta campanha, o governo de António Costa pretende, ignorando toda a opinião em sentido diverso, propagandear que, no essencial, os incêndios florestais têm por causa principal, a dita falta de “limpeza” dos matos. Isto é, na ideia de Costa, Cabrita (e restante ministério), é por haver arbustos “daninhos” que o verdejante Portugal à beira-mar plantado, de repente começa todo a arder, em chegando o mês de Junho. E este é decerto um dos mais engraçados “mitos urbanos” do Portugal de Abril.

  3. Portugal, o país da “sarça ardente”). Os países do Norte de África e do Médio Oriente são todos, muito mais quentes e secos que Portugal. Mas aí, não ardem os matos… Aliás, ai de quem se lembrasse, por futilidade ou diversão, de aí deitar fogo a árvores ou aos preciosos arbustos que servem de alimento aos rebanhos de cabras (e que nas noites frias são usados para aquecimento). Na Bíblia, é Deus que, para atrair Moisés a certo local do Monte Sinai (e de aí lhe entregar os Dez Mandamentos), põe a arder, fenómeno tão invulgar no deserto, certas moitas, a “sarça ardente”. Em Portugal, esse milagre da auto-combustão ocorre milhares de vezes, todos os anos… Às tantas é um fenómeno a explorar pelos nossos agentes turísticos. Algo que por certo nos faz rivalizar com a até agora considerada “Terra Santa”…

  4. Responsabilizar o justo, em vez do pecador). Na qualidade de proprietário de alguns pequenos espaços florestais (como tantos milhares de portugueses), eu sinto-me indignado por, me ser a mim (e aos citados atrás) imputada a culpa dos gravíssimos incêndios florestais de Maio e Outubro de 2017. Hoje, sabe-se que 95% dos incêndios são fogo-posto organizado (ou incúria grave). E em vez de se prenderem os incendiários e seus mandantes, desvia-se a atenção do Povo em relação à origem criminosa dos fogos (que pelos vistos, são para continuar…). E as pessoas acreditam. Bem, ao menos acreditam é nas pesadíssimas multas… É contudo óbvio que certos matos devem ser cortados na vizinhança de casas, aldeias ou estradas. Mas daí a fazer-se disso o cerne do problema! Recorde-se, p. ex., que em 2017, Portugal teve uma área ardida por hectare 25 vezes superior à da vizinha (e quente) Espanha.

  5. A mesma sensação de outras super-mentiras). Encenações idênticas a esta, foram p. ex., montadas para a invasão do Iraque (2003) ou da Líbia e da Síria. Ou para a perda das nossas colónias de África. Ou a propósito do atentado de Camarate. Ou da nossa “entrada” na CEE sem Referendo. Ou da necessidade (neste “país do sol”) de mais barragens e eólicas, em vez da energia solar e das ondas do mar.

  6. Costa “incorpora” Marcelo). Estranho foi ver o PR, pessoa tida por inteligente, alinhar nesta grotesca e ofensiva acção de “dinamização cultural”, estando presente no Gerês. Pareceu mais um simples ministro do malabarista dr. Costa. O qual foi fazer o seu “teatrinho” para Loulé; e depois, em barato avião, para Portalegre.

  7. Limpar” matos em Março é prematuro e incomoda a nidificação). Com a chuva que tem estado, os matos voltam a crescer até vir o calor. Depois, as aves precisam dos arbustos para a criação e, além disso, não devem ser incomodadas na primavera.

  8. Cortar madeira boa, depois do desastre do ano passado…). Como se já não houvesse arvoredo suficiente que os fogos de 2017 não tivessem já destruído, eis que as novas leis obrigam a novos cortes, com prejuízo da paisagem e da Ecologia. Causando ainda, a desvalorização do preço da madeira, que aparece agora em excesso. Enfim, impreparação, manha e demagogia, como só o dr. Costa é capaz…

  9. Um relatório “goês” que os chineses contestam). Com tantos especialistas no terreno, o PM tinha de encomendar o relatório a um seu confrade, o prof. Xavier Viegas. E quando este afirmou que a causa do incêndio foi num poste de alta tensão, os rivais asiáticos donos da EDP e REN logo desmentiram.

  10. Que tal expandir mesmo, os nossos efectivos caprinos?). Além das medidas criminais e militares que tenho defendido, não parece nada estúpido aumentarmos exponencialmente, subsidiando, o número de rebanhos de cabras e dando emprego público a pastores. Assim se limpa o mato e diminui o desemprego e despovoamento rural.


Autor: Eduardo Tomás Alves
DM

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17 abril 2018