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Diálogo inter-religioso

Em Antena 1, praticamente todas as semanas, três pessoas se juntam num programa muito interessante, que dá pelo nome de DEUS CRIOU O MUNDO. Uma delas é de religião judaica, outra católica e outra muçulmana.

A segunda citada, Pedro Gil, escreveu um artigo de reflexão sobre o Diálogo inter-religioso, onde apresenta 11 ideias chave para este tipo de incumbência. Conhecimentos deste assunto não lhe faltam. Ainda recentemente, na companhia de Khalid Jamal, o muçulmano do dito programa, esteve no DUBAI, onde o Papa Francisco, com a sua franqueza habitual, se encontrou com lideres de outras religiões, nomeadamente com a que tem como principal fundador, Maomé.

No citado artigo, começa por nos dizer que este tipo de diálogo se realiza entre crentes, que não apenas aceitam a existência de Deus, como estão certos de que actua na história humana e ao qual cada um procura abrir-se na sua relação pessoal com Ele, porque é um Deus vivo.

Em seguida, afirma com clareza que todo o dialogante deve assumir, sem medo, a sua identidade, embora procurando usar uma linguagem que não seja apenas acessível à sua religião, tanto mais, observa, que o objectivo do diálogo não é o consenso, porque isso poderia levar qualquer um dos participantes a trair a sua própria fé. Não está em causa a aproximação das ideias, mas das pessoas.

Tendo consciência das diferenças existentes entre os seus credos, que podem ser, em certos casos, incompatíveis, nem por isso o diálogo obriga a omitir os temas difíceis.

Neste caso, tem de haver a honestidade de cada um se interessar pelos melhores argumentos dos outros e não pelos piores, porque a clareza é compatível com a delicadeza, acrescenta, citando uma ideia transmitida há alguns anos pelo então arcebispo Mário Bergoglio, hoje, o Papa Francisco, onde comparava a verdade a uma pedra preciosa: fascina quando a deixamos delicadamente na mão do outro, mas pode ferir, se lha atiramos à cara.

Assevera Pedro Gil que a simpatia pelo outro é meio caminho andado para o compreender. Referindo-se ao livro “Jesus de Nazaré”, de Bento XVI, lembra que no prólogo o autor é consciente de livremente ter a possibilidade de contradizer o leitor com as suas observações, pelo que lhe pede uma condição: apenas a pressuposição de simpatia, sem a qual não há qualquer compreensão. Mas vai mais longe, considera que a estima pelo outro é também meio caminho andado para ele desejar progredir.

Deste modo, é importante saber apostar no muito de bom e de grande que cada pessoa tem dentro de si, e incentivar, no longo prazo, que esse “muito de bom e de grande” se robusteça.

Tudo isto não significa que no diálogo inter-religioso não paire, de forma inevitável, a questão da verdade. No entanto, observa “as religiões, de pouco servem, se forem só construções humanas, tentativas bem-intencionadas de falar de Deus com os nossos recursos. Se assim fosse, a religião seria o lugar onde o homem está e não o lugar onde Deus se revela” Com certeza que há entre elas razões de grande divergência.

Mas esta “não se resolve com retórica ou persuasão (e menos ainda com violência), mas com maior abertura interior a Deus”. Deste modo, conclui, “se não soubermos dialogar sobre religião, acabaremos por guerrear por causa da religião”.

Eis um interessante artigo que muito apreciámos, sobretudo por vir de alguém que tem grande experiência nesta matéria e nos fornece achegas muito oportunas sobre uma temática que se tem tornado cada vez mais recorrente no nosso dia a dia.


Autor: Pe. Rui Rosas da Silva
DM

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16 fevereiro 2019