twitter

Deslocamentos pertinentes, livres e responsáveis

Vou tomar a antropologia pela verdadeira e responsável sabedoria que se ocupa da radical e ôntica essência humana, que desfolha a sua colorida e perfumada corola de espiritualidade corporizada em pétalas da sua unicidade, relacionamentos, simplicidade, perenidade e transcendentalidade, criada por Deus (o Simples e o Eterno), à sua imagem e semelhança, segundo o relato da Bíblia Sagrada. Para melhor e mais adulta compreensão do seu excelente, humanizado e acolhedor artigo, repensei, com emoção inteligente, algumas das suas importantes e criteriosas afirmações. “É no mundo que estamos. Mas não é do mundo que somos”. Na verdade, estamos no mundo existencial (o mundo do meio ambiente externo e interno). Mas o nosso verdadeiro mundo é o transcendental, que se manifesta no nosso mundo existencial ou biopsíquico, superando-o. Portanto, como sintetizou Paul Valadier, “a condição cristã é estar no mundo sem ser do mundo”. Realmente, quando lemos textos do passado, temos tendência a classificá-los “de outros tempos”. A nossa reação, penso eu, deveria ser de superação transformadora do mundo existencial para o mundo transcendental. Mais adiante, escreve o distinto teólogo referindo-se aos cristãos: “O seu amor pelo bem da humanidade levava-os a propor o que tinham de melhor para o mundo…” Penso que a sua proposta, pelo seu amor pela humanidade, era, sem dúvida, levar o mundo (abraçado pelo seu meio ambiente externo e interno) para os imperativos transcendentais do seu ôntico e natural ser: integra-te e sintoniza-te com a verdade, com o amor, com a paz, com a luz, com a vida, com a compreensão, com a aceitação… imperativos que são os mentores das nossas atitudes e reações comportamentais. E o excelente artigo, termina: “Não esqueçamos jamais que o Vaticano II nos impõe sermos arautos do perene. E o perene nunca deixa de ser atual.” O perene é o ôntico ser da humanidade. O nosso ôntico ser, analógico ao ôntico ser Divino, é a nossa indelével identidade. O excelente artigo do teólogo João António Teixeira justifica plenamente o título que lhe atribuiu. Obrigado pelo seu trabalho.
Autor: Benjamim Araújo
DM

DM

4 outubro 2017