No ‘site’ do Município das Caldas das Taipas, Guimarães, pode ler-se: “esta vila termal foi desde sempre um movimento dinâmico local de passagem e uma boa opção para uma paragem. Já que dispõe de vários atrativos entre os quais se destaca uma antiga estância termal, cuja utilização terapêutica remonta ao tempo do Império Romano”. Esta é, a meu ver, uma boa alegoria aos predicados incontestáveis de um local a que eu já não ia a algum tempo, pelo menos desde o desmantelamento de algumas ruas para benefício da mobilidade.
Pois bem, se o propósito camarário é digno de os maiores encómios já a execução é merecedora de alguns reparos. E porquê? Porque a edilidade eleita resolveu, em nome do progresso – e bem – lavar a cara ao seu Centro Cívico, tornando-o mais airoso. Até aqui nada a apontar, mas sim de aplaudir. Tendo, para isso, dado início às obras de requalificação em 20 de outubro de 2020, o que deixou as Tipas entaipadas até ao dia de hoje e sem fim à vista.
Ora, foi a conselho médico que tive de ir à procura das sua Termas vendo-me perdido num labirinto tal que me fez dar imensas voltas de carro, sem saber por onde ir. Valeu-me a boa-vontade dos transeuntes os quais, perplexos, e sem querer, me davam indicações erradas do local. Uma vez que as ruas que ontem eram de sentido permitido no outro dia já eram de trânsito proibido. Mas com muito custo lá cheguei. Só que um novo quebra-cabeças viria a enfrentar devido aos exímios lugares de estacionamento na sua periferia.
Mas o mais caricato é que sendo as Termas o ex-líbris da vila, não se encontrem claramente assinaladas. Notando-se alguma deficiência quanto a placas indicativas para se lá chegar. Sobretudo, para quem é de fora e se depara com uma autêntica salgalhada viária, devido à morosidade das obras e ao seu deficiente planeamento.
Foi pena que, em vez do levantamento de uma só vez de toda uma área bastante movimentada, se não optasse pelos módulos a intervir. Chama-se a isto projetos à portuguesa, em que o prazo previsto de execução seria de 2 anos, mas que, pelo andar da carruagem, a investida obreira irá prolongar-se, segundo por lá se diz, até às eleições autárquicas de 2026.
Ao menos os romanos tiveram a o discernimento de, ali, deixarem uma extensa inscrição, em latim, dedicada ao imperador Trajano, denunciando que é local de águas medicinais e a respetiva indicação. Já os lusos, passados cerca de XX séculos, apesar de tanta literacia e meios ao dispor o que vemos de indicações das Termas? Quase nada! Depois, nos tempos que correm, com a atual tecnologia de ponta ao dispor e engenharia avançada, porquê tanta lentidão naquela requalificação a roçar os foros da eternidade, até que seja alcançado o tão almejado centro cívico desafogado?
Entretanto, quem mais vai penando com a demora são os habitantes da Vila das Taipas e o seu tecido empresarial. Pois, eu mesmo escutei algum murmúrio de vozes incomodadas com o transtorno das obras. E aqui uma pergunta se impõe: se o projeto teve a verba disponibilizada e luz verde de quem tutela este investimento para avançar, por que razão tarda a sua concretização prevista para o passado 20out22? Só pode ser pela falta de mão d’obra, escassez de materiais, ou pelo disparar da inflação que poderá ter provocado tal atraso e derrapagem dos custos iniciais.
Apesar de tudo, tem havido um certo esforço e resiliência por parte daquelas gentes em manterem os seus negócios abertos, ainda que à entrada tenham um lamaçal, ou poeira portas adentro. Bem ciente desse sacrifício fiquei, quando me pus a apreciar o empenho e dedicação que os médicos, técnicos, pessoal administrativo e auxiliar do ‘Taipas-Termal’, se entregavam aos seus pacientes, enquanto aguardam que o milagre se dê.
Ora se “desentaipar”, segundo o dicionário de português, é o mesmo que desembaraçar, libertar e desafrontar, fazê-lo na Vila das Taipas seria acabar com um pesadelo não só para quem ali vive e trabalha, como para quem a visita.
Autor: Narciso Mendes
“Desentaipar”
DM
21 novembro 2022