Já aqui fiz referência, em artigo anterior, à saída da jornalista Sandra Felgueiras da televisão pública, onde apresentava os resultados da sua investigação jornalística, bem como de toda a sua equipa. Referindo, também, que a sua ida para o grupo ‘Cofina’, onde assumiu a direção da revista semanal ‘Sábado’, bafejaria esta com uma lufada de imparcialidade e ética. O que me parece estar a consegui-lo, pelo que só a posso felicitar por isso.
Sandra, no editorial da ‘Sábado’, de 10 a 16 deste mês, deu a entender haver alguns jornalistas que ao não se darem ao trabalho de investigar, mais parecem empregados da cor política que domina a atualidade. E mostrando ao que veio citou a tirada de Churchill, na Câmara dos Comuns, em 11 de novembro de 1947:
“A democracia é a pior forma de Governo, à exceção de todos os outros já experimentados ao longo da história”.
Tendo-o imaginado de charuto, ao canto da boca, e a pedir à sua assistente para lhe fornecer o ‘tweet’ do suposto ‘antirracista’ Mamadou Ba: – “vamos ter 11 suínos na Assembleia da República (AR), de entre eles um terrorista assassino da extrema-direita. A luta não será na AR, mas nas ruas! Preparem-se!”
Ora, quer na maioria da imprensa, ou nos painéis dos programas de debate dos canais televisivos, não vi nem ouvi vivalma a condenar tal comportamento. A não ser a Sandra que, ao que me apercebi, foi a única a comentar o conteúdo do ‘tweet’ daquele que dirige as lutas contra o racismo, esclavagismo e outros “ismos” em Portugal. Relevando o facto de o sujeito não só não respeitar o voto dos mais de 400.000 portugueses, como incitar ao ódio e insulto.
“Desalinhada” com o discurso vigente, ou justa? O que sei, é que esta profissional ousou dizer ter lido, apenas, meia dúzia de notícias – sem relevo – sobre o ocorrido e nenhuma pesquisa acerca de quem são os 12 deputados do Chega (CH), eleitos nas últimas legislativas. Nem quem tivesse sacado ao ‘ativista’ não só uma explicação sobre as razões que o levaram a difundir aquela mensagem em tais moldes, como um pedido de desculpas. Da mesma forma, que quase nada se ouviu sobre a condenação na Justiça dos crimes de que era acusada aquela família a quem André Ventura (nas presidenciais) chamara de ‘bandidos’ e de que já fora condenado, digo eu. Aqui, Jornalistas e comentadores todos se fecharam em copas,
Extremar um partido cujo Tribunal Constitucional legalizou, poderá vir a ter consequências no futuro. E montar-lhe uma espécie de cerco sanitário político – em jeito de proibição – poderá levá-lo a radicalizar-se para se defender. É que sempre que alguém das tropas ‘chegantes’ profere algo de polémico, quase todos os órgãos de comunicação e forças políticas lhe caem em cima. Já se alguém da esquerda e extrema-esquerda decide chamar ‘nazizinho’ ao líder do PSD, por ser social-democrata, ou ‘achincalhar’ alguém do CH,IL e CDS a maioria não diz nada, mas aplaude.
Será, porventura, com o uso de estratagemas como aquele que, há bem pouco tempo, presenciei num debate entre uma deputada socialista e um do CH, na CNN, em que o moderador depois de a deixar acusar e catalogar o seu interlocutor do piorio – ficando eu à espera de que, ele, pudesse exercer o direito à resposta – deu o programa por encerrado, ostracizando-o? É assim que se exerce a dialética livre e democrática?
Com efeito, o que me parece é que partidos, como o PSD e a IL não perceberam, ainda, que ao disputarem ambos o ‘centrão’ mais deixarão vaga a direita. É que lá com essa estratégia parlamentar ainda se arriscam a ver surgir uma espécie de BE, só que de direita. Isto, enquanto os centristas não se levantam e se definem se querem ser ‘carne’ ou ‘peixe’.
Corroborando e reforçando as palavras da jornalista pergunto: será que queremos uma sociedade verdadeiramente democrática, pluralista, solidária, tolerante e pacífica, ou de ‘muros’ como o que o comunismo de leste ergueu, outrora, aos cidadãos alemães?
Autor: Narciso Mendes
“DESALINHADA, OU JUSTA”?
DM
21 fevereiro 2022