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Denunciando dirigentes alienados

Há dias recebi esta estória. Por muito rude que pareça, talvez possa falar o bastante daquilo que temos estado a viver e, sobretudo, poderá ser uma prevenção para com tantos que nos tentam cativar… até para as próximas eleições.

Numa da suas reuniões, Hitler pediu que lhe trouxessem uma galinha. Agarrou-a fortemente com uma das mãos enquanto a depenava com a outra. A galinha, desesperada pela dor, quis fugir mas não pode. Assim, Hitler tirou todas suas penas, dizendo aos seus colaboradores: “Agora, observem o que vai acontecer”. Hitler soltou a galinha e pô-la no chão e afastando-se um pouco dela. Pegou num punhado de grãos de trigo, começou a caminhar pela sala e a atirar os grãos de trigo ao chão, enquanto os seus colaboradores viam, assombrados, como a galinha, assustada, dorida e a sangrar, corria atrás de Hitler e tentava agarrar algumas migalhas. A galinha o seguia fielmente por todos os lados. Então, Hitler olhou para seus ajudantes, que estavam totalmente surpreendidos, e disse-lhes: “Assim, facilmente, se governa os estúpidos. Viram como a galinha me seguiu, apesar da dor que lhe causei? Tirei-lhe tudo..., as penas e até a dignidade, mas, ainda assim ela segue-me em busca de farelos”. Assim é a maioria das pessoas, segue os seus governantes e políticos, apesar da dor que estes lhes causam e, mesmo que lhes tirem a saúde, a educação e a dignidade, pelo simples gesto de receber um benefício barato ou algo para se alimentar por um ou dois dias, o povo segue aquele que lhe dá umas simples migalhas.

Poderemos mudar o sujeito da estória… para um qualquer outro no tempo, no espaço e na história, mas muito do que nela se revela conjetura-se para além de mera ’fake news’… daquela como desta época.

- Não é verdade que o povo segue e vota em quem lhe dá, ao menos, uns trocos, mesmo que embrulhados em enganos e meras suposições?

- Não é verdade que temos estado a ser aliciados com vitórias e ganhos económicos, mas à força de sermos espremidos até ao tutano – em impostos indiretos – pela simples razão de podermos gastar agora o que amanhã nos vai fazer falta?

- Não é verdade que vai percorrendo o país uma onda de otimismo enganador, mesmo que à custa de mentiras e de bastantes inverdades, desde que bem doseadas com festas e celebrações de fachada?

- Não será verdade que a plêiade de habilidosos se esgota quando se descobre que as artimanhas têm perna curta e que os ganhos depressa se tornarão pesadelos para muitos menos do que seria aceitável?

- Não será questionável que continuem a surgir nas listas para votação – seja qual for o partido – figuras que não passam de elementos decorativos e de cedilhas ou de vírgulas colocadas a esmo num texto que não está escrito com a grafia mais adequada?

- Não será, no mínimo vergonhoso, que surjam quotas para mulheres sem competência ou figurões sem qualquer relevância, desde o passado, no presente e para o futuro?

Dá a impressão que não temos aprendido nada com as lições do passado – mais recente ou mais longínquo – na medida em que dizemos confiar nos mesmos que levaram o país à bancarrota e à ruína, comportando-se como dirigentes alienados, incapazes de ver o presente ou de vislumbrarem o futuro sem as cataratas da sua cor ou ideologia. Pior do que tudo isso é a insuficiência de liderança com que temos estado a conviver: os melhores não se deixam submeter à arruaça de uns tantos que só conhecem a adulação, a conveniência ou os estratagemas para irem deambulando por entre a mediocridade, pois dela são corifeus e servidores. Começa a ser, para além de vergonhoso, preocupante que se vão perpetuando no poder – central, autárquico ou em setores intermédios – os que menos prestam, deixando um rasto de incompetência, de banalidade e, em muitos casos, de boçalidade.

Cada um terá o preço com que se deixar comprar… agora ou no futuro! O país merece muito melhor.

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Começa a ser, para além de vergonhoso, preocupante que se vão perpetuando no poder – central, autárquico ou em setores intermédios – os que menos prestam, deixando um rasto de incompetência, de banalidade e, em muitos casos, de boçalidade.


Autor: António Sílvio Couto
DM

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2 setembro 2019