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Crónica negra

Mas, quantas vezes o silêncio respeitoso pode ser confundido com a aquiescência cúmplice? Por isso, e porque (como escrevi por aqui há quase um ano) não cesso de me espantar com uma certa cultura de desprezo pelo saber científico daqueles que estudam os problemas, as suas causas e as soluções, não posso deixar de escrever meia dúzia de linhas.

A dimensão dos incêndios florestais das últimas décadas, não é mais que um sintoma da doença crónica que radica no deficiente ordenamento do território e nas alterações sociodemográficas do último meio século português. Os problemas da nossa floresta estão identificados e a forma de os resolver, com mais ou menos pontos polémicos, são também já conhecidas. Mudar é uma urgência, com certeza, mas a mudança exige o empenhamento de todos e demorará décadas.

Por respeito aos engenheiros florestais, geógrafos, agrónomos, paisagistas e outros mestres, a maioria já falecidos, com os quais aprendi a amar este país e a ver para além da paisagem; por respeito a tantos outros nossos contemporâneos, alguns ilustres colegas e amigos, que continuam, nas universidades, no Estado e nas empresas, a propor medidas estruturais e a remar contra uma maré de interesses conjunturais, fico-me, hoje, por aqui.

 

Autor: Fernanda Lobo Gonçalves
DM

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25 junho 2017