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Coragem povo de Moçambique, o terrorismo islâmico não passará!

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, está a ser avassalada pelo terrorismo islâmico, traduzido em decapitações, raptos, violações, profanações de igrejas cristãs e destruição de aldeias comunitárias. Em três anos de assolação, os guerrilheiros do Estado Islâmico (EI) já provocaram 300 mil desalojados, centenas de mortos, um número indefinido de desaparecidos, e colocaram mais de 700 mil pessoas a carecer de ajuda humanitária. A comunidade internacional tem evidenciado grande indiferença perante um fenómeno político-religioso que se encontra em expansão em alguns países de maioria muçulmana, mas também em países e comunidades de maioria cristã. A insurreição mais conhecida talvez seja a da organização Boko Haram – cuja tradução significa que a educação ocidental é um pecado –, a qual, para além de atentados brutais contra alvos cristãos, já controla várias cidades da Nigéria, onde impôs a lei religiosa da sharia, em substituição da lei laica daquela república. Processo semelhante acontece na Somália, onde o grupo Al-Shabaab – que quer dizer juventude –, afiliado à Al-Qaeda, também intenta a criação de um estado religioso submetido a um califa unitário, enquanto líder político e religioso de todo o povo muçulmano. Tudo leva a crer, pois, que este grupo que opera no norte de Moçambique seja uma ramificação deste Al-Shabaab somaliano, porquanto a Somália tem fronteira a sul com o Quénia, e este confina, também a sul, com a Tanzânia. Parece evidente que, com a conivência das autoridades tanzanianas, cujo país é de maioria muçulmana, o autointitulado EI tenha encontrado naquela organização terrorista a inspiração para o desencadeamento da jihad islâmica contra o povo cristão do norte de Moçambique. Nós, portugueses, não podemos ficar indiferentes perante uma tragédia que vitima crianças, mulheres e homens, viola casas, destrói colheitas, profana igrejas… Só a fidelidade a Cristo desta gente mártir tem ficado incólume! Fomos nós que levámos o cristianismo para as férteis e belas terras de Moçambique, cujo povo se tornou nosso irmão de fé, cultura e amizade. Com efeito, tanto Álvaro Velho, no Roteiro da Primeira Viagem de Vasco da Gama, como Pinheiro Chagas, na Descoberta da Índia, relatam as missas que foram celebradas na Ilha de Moçambique e em Melinde, hoje cidade costeira do atual Quénia. É crível que este grupo do EI, na esteira do Boko Haram e do Al-Shabaab, também queira conquistar terras a sul da Tanzânia e a norte de Moçambique, para aí instalar um estado religioso independente, igualmente submetido à sharia, e não às leis laicas das repúblicas tanzaniana e moçambicana. Como sabemos, o fundamentalismo destes grupos terroristas deriva da interpretação literal de alguns versículos do Corão, um dos quais afirma que «Para Deus a religião é o Islão…», e outro proclama que «Quando os meses sagrados houverem transcorrido, matai os idólatras, onde quer que os acheis... porém, caso se arrependam, observem a oração e paguem o zakat, abri-lhes o caminho.» Partindo deste princípio de que só o Islão é a religião verdadeira, então o conceito de idolatria estende-se a todos quantos professem ou não outras religiões. Este preconceito supremacista radica na letra de alguns versículos das 3.ª e 9.ª suratas, um dos quais sustenta: «Sois a melhor nação que surgiu na humanidade…»; e outro assegura: «Ele foi Quem enviou o Seu mensageiro com a Orientação e a verdadeira religião, para fazê-la prevalecer sobre todas as outras.» Assim sendo, os guerrilheiros islâmicos atuam debaixo desta convicção de servirem a causa de Deus, tanto mais que uma passagem de um versículo do Corão os incita: «Os fiéis combaterão pela causa de Deus, matarão e serão mortos…». Contudo, Maomé, contrabalançando a doutrina atrás citada, estatuiu vários versículos trespassados de pacifismo e tolerância, como estes: «Combatei aqueles que vos combatem, porém, não pratiqueis a agressão, porque Deus não estima os agressores; Não luteis por coisas divinas, praticai boas ações e elas vos levarão a Deus; Não obrigueis ninguém em matéria de religião, se essa fosse a vontade de Deus, já todos os homens acreditariam no mesmo.» Ora, se estes jovens muçulmanos violam tais preceitos do Corão, como se apresentarão um dia diante do julgamento de Deus, que tudo vê? Obra consultada: Alcorão, segundo Samir El Hayek, do Centro Cultural Árabe Islâmico da Foz do Iguaçu, S. Paulo
Autor: Fernando Pinheiro
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17 novembro 2020