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Confinados e em forma

Nestes tempos de confinamento forçado pela necessidade de cumprir os pressupostos exigentes, mas decisivos para a saúde pública, não nos podemos esquecer da nossa própria saúde. Estar confinado às quatro paredes não representa, necessariamente, que deixemos de realizar um plano de condição física de base, que nos permita manter o estado físico e psíquico positivos e, essencialmente, nos possa ajudar a ultrapassar esta fase difícil das nossas vidas. Em face desta situação, muitas instituições e técnicos, aproveitando as redes sociais, têm concretizado muitas propostas de esquemas de atividade física que, quem não tiver já o seu próprio esquema, se poderá socorrer e realizar um plano que eu chamaria de “emergência”. Num estado social normal, enquanto técnico de Educação Física, proporia que as pessoas procurassem planos de atividade física aproveitando a natureza e os espaços apropriados para o efeito, mas, como sabemos, esta proposta está desajustada com os tempos que nos condicionam na atualidade. Assim, sair de casa é uma condição de alto risco. A primeira mensagem que gostaria de aqui deixar, era: fique em casa. Mas tal como referimos, não quer dizer que não possa e deva realizar um plano de condição física que se ajuste às suas condições atuais (de saúde e de condição física). Mas terá que escolher muito bem o que fazer, porque nem todos os exercícios se ajustam a si. Analisando algumas propostas lançadas nas plataformas sociais, podemos encontrar algumas caraterísticas dos exercícios que algumas pessoas, senão a maioria, devem evitar, e outras propostas que são claramente desajustadas para todos. A segunda mensagem, especialmente dedicada aos técnicos de Educação Física que se aventuram, e bem, em apresentar propostas, que pensem no público alvo a que se destinam e procurem enquadrar bem os princípios de realização do próprio exercício. Nem todo o treino é saudável e também depende de quem o executa. A realização incorreta de determinados exercícios, poderá acarretar mais prejuízo do que beneficio, pelo que, em todas as propostas devem ser incluídos princípios fundamentais de realização dos movimentos, orientando o destinatário para uma correta execução. Outro aspeto, fundamental, é atender à fase que vivemos. Este estado de emergência social exige que as pessoas estejam em pleno das suas defesas imunitárias, pelo que, todas as propostas que, qualquer técnico, proponha deve atender a este ponto. Assim, as propostas de alto impacto (físico, respiratório, musculo-articular) deve ser evitado, mesmo para a população que está habituada a realizar. Qualquer exercício constitui uma “agressão” e, portanto, um processo inflamatório, pelo que, nesta fase devemos evitar que estas “agressões” sejam demasiado intensas, de forma a evitar debilitar as defesas do nosso organismo. Nem todos os exercícios e programas de exercício físico são benéficos, enquadrando a situação que vivemos e a saúde de quem o realiza, pelo que, por estes tempos, todas as propostas devem procurar evitar exercícios que sejam agressivos para os sistemas (de defesa imunológica e cardiorrespiratório) do nosso organismo. Não há qualquer dúvida, desde sempre, que os Professores de Educação Física e Técnicos de Exercício Físico são agentes de saúde, fundamentais na prevenção e, essencialmente, na promoção de estados emocionais e físicos positivos, mas nesta fase têm, verdadeiramente, um papel ainda mais relevante.
Autor: Carlos Dias
DM

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10 abril 2020