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Como seria, 11x11? Nunca saberemos…

Atendendo a prazos de envio de artigos, raramente me posso pronunciar sobre jogos do SC Braga na Liga Europa. Esta semana, no entanto, devido ao dia e ao adversário, parecia jogo de Champions. Pensei, de uma cajadada, dois coelhos: escrevo sobre o mesmo e, a manter-se a classificação na Liga, preparo o próximo ano. Sendo um otimista por natureza e já com premonições assertivas ao micro da Rádio Voz do Neiva cheirava-me - não tenho COVID, garantidamente - que algo de bom poderia acontecer num jogo em que só t(r)emia, se jogássemos sempre 11x11. Quando recebemos a constituição das equipas percebi que para Carlos Carvalhal jogar com o FC Porto era o mesmo que jogar com a Roma ou o Nacional. Já Sérgio Conceição assumia não ter feito bluff quando disse que o SC Braga era a equipa que melhor futebol praticava em Portugal, desfazendo a dupla atacante que usa habitualmente. Quando uma equipa altera a sua forma de jogar em função do reconhecido valor do adversário, diz-se que é um indício de inferioridade. Neste caso, não penso assim. Acredito que Sérgio Conceição terá esquecido a ameaça velada feita na Pedreira - 11x11, levas 5 ou 6 - e terá pensado ganhar esta eliminatória e começar a ganhar a de Turim. Sendo o empate a zero um resultado apetecível nos dois jogos, a acontecer aqui, adotaria a mesma estratégia em Itália. Na pele de comentador, foi a ideia que transmiti, quando me pediram um primeiro comentário à constituição das equipas. Como adepto, fiquei mais descansado ao perceber que, afinal, não queriam golear-nos. Aos oito minutos de jogo sou questionado sobre o que necessitam fazer as equipas para alterar aquele aparente equilíbrio. Atendendo ao excesso de “tráfego” na zona central, comecei por dizer que precisavam fazer chegar as bolas às zonas laterais e… sou interrompido pelo Daniel Lourenço a relatar…” como agora, bola a chegar a Ricardo Esgaio, vai dar na profundidade para Piazon, Piazon dá atrasado… GOOOOOOOOLLLLLLLO”. O comentador acertou, mas o adepto ficou preocupado. O FCP já tinha de marcar e Sérgio Conceição podia voltar à aterradora ideia da… prometida goleada. Dupla e triplamente preocupado fiquei, aos 14 e 28 minutos, quando o SC Braga chega aos 3-0. Aos 30 minutos começam os suores frios, ao iniciar-se o “massacre” prometido quando, por intermédio de Octávio, o FC Porto reduz para 1-3. T(r)emendo, como eu, certamente, Carlos Carvalhal mostra a sua perspicácia e (ante)visão. Percebe o perigo e pede a Borja para derrubar Marega, fazendo-se expulsar. Sérgio Conceição com tudo preparado para massacrar no 11x11 - estrategicamente, sofreu 3 golos para nos poder humilhar mais ainda - fica sem soluções ao ver-se a jogar 11x10 (afinal, aquilo que tinha considerado a nossa vantagem na Pedreira). Consta que a sua premonição, ainda hoje, paira nos céus do Dragão, mas, e fundamentalmente graças à perspicácia de Carlos Carvalhal - ao fazer expulsar Borja - nunca saberemos se 11x11 não teríamos, mesmo, levado 5 ou 6.
Autor: Carlos Mangas
DM

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5 março 2021