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Carta a Catarina Martins sobre “Universidades Fundação”

Olá Catarina, tudo bem? Espero que sim. Sou eu, o Gonçalo e, se bem te lembras, como recentemente confirmaste, chegámos a ser colegas nos anos 90 na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Lembro-me dos teus belos olhos e duma conversa nossa nos Gerais da Faculdade sobre aquilo que iria ser o teu abandono.

Na Wikipédia diz apenas sobre esta tua breve passagem que: “em Coimbra, participa nos movimentos contra as propinas na universidade”. Ora, também eu participei e inclusive, igualmente, estive na Direcção-Geral da Associação Académica C.: António Vigário, Zita Henriques, Tiago Magalhães, entre Outros.

Sempre contra as propinas na Universidade, como aliás são ainda hoje os superiores modelos do Ensino Superior na Alemanha e Países Nórdicos. Mas “deixaste Coimbra”. Pelo que observo, foste co-fundadora, em 1994, da Companhia de Teatro de Visões Úteis e dirigente do CITAC e da Plateia, Associação de Proposicionais das Artes Cénicas.

Entretanto foste te licenciando em Línguas e Literaturas Modernas, c/mestrado em Linguística e frequentas umdoutoramentoem Didáctica das Línguas. És casada e tens duas filhas. Parabéns! Gostas de ouvir Blind Zero, banda liderada pelo nosso também colega de Coimbra, Miguel Guedes.

A 3/12/15, a revista norte-americana “Politico” classificou-te “como uma das 28 personalidades em destaque na Europa”, “a cara da esquerda”: “o sucesso de Martins provocou arrepios a todo o establishment da Europa”. Percurso interessante. E “o futuro a Deus pertence”, digo eu. Mas desde já te reconheço também como exemplo para muitas outras mulheres, com ou sem partido. E, como militante de há anos do PSD, sou insuspeito. Também me lembro de conviver com as colegas de psicologia Ana Drago e Joana Amaral Dias.

Esta carta vem na sequência duma outra publicada em 8/12/17, com o título de «Carta aberta ao PCP&BE sobre Ensino, Rendas, PPP’s e “Swaps”». Continuas contra as propinas no ensino superior público? Eu continuo.

Em 20/12/16, o jornal observador.pt: “Bloco quer as propinas no Ensino Superior desapareçam em três anos”. Veja-se o Chile e que quase não foi notícia cá (br.sputniknews.com): “O governo chileno decidiu aprovar uma reforma do ensino superior que põe fim às universidades privadas e adota um modelo de ensino superior gratuito e universal!!!

Ora, transformar Universidades e Politécnicos em “Fundações Públicas de Direito Privado” (FPDP) vai aumentar as propinas em Portugal! O modelo a seguir é o da Alemanha e países nórdicos e não o dos EUA. Sobre as “Universidades-Fundações Públicas de Direito Privado”, é preciso ler as Revistas do SNESup-Ensino Superior, 58/59. SOU CONTRA as FPDP. Não por ser do contra, mas porque acredito na social-democracia europeia.

Alemães à frente: “Sindicato alemão consegue redução de jornada de trabalho para 28 horas semanais e aumento salarial de 4,3% § Acordo foi fechado após cinco rodadas de negociações; além de aumento, metalúrgicos terão participação nos lucros e pagamento anual extra correspondente a 27,5% do salário mensal”. VIVA A ALEMANHA.

Aliás, completamente disparatada a gestão dos CTT em Portugal que queria fechar 22 balcões (parece que já não). Sabias que na Alemanha, os correios Deutsche Post são os maiores do mundo, privados, mas com política propositada de forte incentivo a postos de trabalho humanos? 467,088 empregados em mais de 220 países e territórios, espalhados pelo mundo, tendo gerado receitas de 56,63 mil milhões de euros em 2010! É claro que a União Europeia favorece também o crescimento alemão. Mas também estamos a usufruir.

Ora, a criação das chamadas “Universidades-Fundações Públicas de Direito Privado” é o caminho para as “Fundações sem fundamentos e sem fundos…”, nas palavras certeiras do excelente artigo de opinião de M. Pereira dos Santos, republicado na Revista do SNESup, Ensino Superior, nº 59, de 2017 e que tem sido brilhantemente dirigida por Paulo Peixoto. E tu Catarina, vais deixar que isto aconteça? Abraço fraterno.


Autor: Gonçalo S. de Mello Bandeira
DM

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9 fevereiro 2018