Se racismo é sinónimo de desprezo, desigualdade e descriminação, os adeptos mais radicais de alguns clubes grandes, são obviamente racistas. Dos seus atos e palavras, transparecem em uníssono, ódio, xenofobia e incentivo à violência que já originaram feridos graves e mortos em estádios e nas suas proximidades.
Mas paradoxalmente, o Sporting Clube de Braga e os seus adeptos (que são poucos ou nenhuns, segundo alguma comunicação social) é que são catalogados de racistas. Se afirmarem que possuímos aversão ao branco dos vizinhos e que os catalogamos, amiúde, de serem contra a independência da Catalunha, não há como negar, mas relembro a reciprocidade existente, quando eles dizem que andamos a vender lenços e bugigangas em praias algarvias. Será isto racismo? Não creio.
O racismo que verdadeiramente me incomoda, e que sinto na cidade, é a descriminação e desigualdade no que se refere ao apoio da população a diferentes modalidades. Eu sei, às vezes apetece ficar eternamente deliciado com a qualidade de jogo que a nossa equipa de futebol patenteia em Portugal e na Europa, mas sugiro que libertem algum tempo para ver jogos de outras modalidades e vão perceber a excelência desportiva de crianças, jovens e adultos que defendem, e honram, emblemas da nossa cidade ao mais alto nível. E numa perspetiva multicolor, sugiro que apoiemos por igual, vermelhos, azuis e brancos do Hóquei Clube de Braga e amarelos do ABC.
Por falar em ABC, já escasseiam adjetivos para as proezas deste clube que já equipou de negro e agora veste de amarelo. Em ano de remodelação quase total (plantel, equipa técnica e dirigente – falta o pavilhão), continuar a intrometer-se na luta pelos lugares cimeiros do andebol nacional e a empatar, no sentido literal do termo, quem investe milhões em guerras e contratações, é meritório e de enaltecer.
Mantendo terminologia bélica podem, como aconteceu recentemente, assaltar-nos o paiol e levar grande parte da artilharia, composta por tanques e canhões de última geração, metralhadoras automáticas, granadas e até um general.
Por cá, mantendo o ajudante de campo e com a liderança entregue a um graduado da academia, continuaremos a lutar, independentemente de se ir para as batalhas com canhões que datam da 2.ª guerra mundial (mas mostram semanalmente estar em bom estado de conservação); contratorpedeiros usados, vindos da ilha; ou caçadeiras, em mãos de miúdos que deixaram as fraldas recentemente.
E, como a fábrica do Flávio Sá Leite é mais produtiva que a AutoEuropa, ainda temos um outro Arsenal, com espingardas e fisgas, a defender as cores da nossa cidade também.
Por tudo isto, e valorizando o que realmente interessa, deixo um repto à população bracarense: Mantendo e reforçando o apoio no futebol, por motivos óbvios, já com o Paços de Ferreira, sejamos desportistas de bancada, multicolores, apoiando indiscriminadamente quem tão bem defende a região e a cidade. Braga, Capital Europeia do Desporto em 2018, recomenda-o, merece-o e exige-o.
Autor: Carlos Mangas
Braga quer-se multicolor e desportiva
DM
1 dezembro 2017