As circunstâncias que distinguem bons(as) alunos(as) de maus(ás) alunos(as) são muito variadas. Os estudantes são também um reflexo da própria sociedade, com virtudes e defeitos. Há factores económicos, sociais, políticos, culturais, mentais. Assim como um bom aluno(a) se pode tornar num mau aluno(a) e vice-versa.
A personalidade duma pessoa é também influenciada por factores ambientais, genéticos, etc.. E em percentagens variadas. Há vários estudos, p.e., na área da psicologia. Já para não falar nas chamadas ciências da saúde em sentido amplo ou nas ciências humanas, etc..
Recordamos um nosso trabalho sobre este tema na nossa saudosa Escola Secundária Dª Maria II, Braga. Assim, p.e., uma doença física ou psicológica pode também ter forte influência no desempenho dos estudos como é óbvio – e de muitas outras coisas – duma pessoa. São tantas que a questão é mesmo muito complexa.
De qualquer modo, fruto da nossa já longa experiência profissional, podemos apresentar algumas úteis características. Esse é o principal objectivo deste texto. Tudo pode ser sempre melhorado. Nomeadamente para um mau aluno(a). Assim, um bom aluno(a) não chega por regra atrasado e não sai mais cedo das aulas.
Salvo circunstâncias excepcionais. Um bom aluno(a) é por regra alguém que está atento, que faz perguntas durante ou após as aulas sobre a matéria. Um bom aluno(a) aparece nos atendimentos para tirar dúvidas. Um bom aluno(a) estuda. Sim, em efectivo, um bom aluno(a) estuda por regra! É muito importante nunca esquecer este “pormenor”.
É importante estudar! Infelizmente, ainda existe quem pensa que é possível “passar à unidade curricular” sem estudar (!). E até é possível em casos mais raros, inclusive através da fraude académica. Acontece que se o professor(a) for honesto, o aluno(a) que teve sucesso sem estudar, apenas o obteve por mera sorte (ou ilícito se for o caso) e, no final de contas, pouco acrescentou à sua capacidade de raciocínio crítico de base mais científica. Sobra um vazio.
É certo que é também importante ter um local físico razoável para estudar e, infelizmente, nem todos têm essa mesma oportunidade. Neste sentido, as instituições devem ter designadamente boas bibliotecas e/ou salas de estudo para que os alunos(as) se sintam com o conforto mínimo para estudar. Durante as aulas é indispensável não estarem por exemplo distraídos com telemóveis ou afins, deveriam ser proibidos na sala.
Ou falarem com os colegas do lado sobre assuntos que em nada se relacionam com as aulas. Também é muito importante manter na sala de aula um ambiente propício a que todos possam participar. Neste sentido, não é correcto, p.e., desprezar a participação dos colegas que pretendem intervir de modo construtivo nas aulas.
Como se sabe, e disso já temos publicações entre outros locais, pode existir assédio de professores(as) para alunos(as), mas também o contrário e entre alunos(as) ou entre professores(as). Desde logo porque estes últimos, muitos deles são precários.
Um bom aluno(a) fala directamente com o professor(a) das suas dificuldades, Professor(a) o qual, se for digno dessa função, irá orientar o aluno(a) da melhor forma.
O mau aluno(a) não estuda, não procura o professor(a) nos atendimentos. E pior do que isso, em alguns casos quando reprova, tenta culpar o professor(a), se necessário mentindo até ou praticando o crime de difamação e injúria. A mentira clássica do mau aluno é “estudei muito” depois de passar o semestre, em alguns casos, sem ler uma página.
E como é por demais óbvio, professores ou investigadores(as) desmotivados, precários, mal-pagos, que não vislumbram sequer o cumprimento da legislação em vigor por parte das instituições e/ou do Estado, são professores(as) que, sem culpa própria, terão muitas dificuldades em retransmitir a qualidade cujo exemplo não vem de cima.
Aproveitamos para dar os parabéns aon/Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, eleita agora a melhor Primária de Portugal, obrigado Sr.ª Prof.ª Milú.
Autor: Gonçalo S. de Mello Bandeira
Bons Alunos vs Maus Alunos no Ensino Superior
DM
22 fevereiro 2019