Os portugueses estão mais pobres!
Segundo a Pordata , foi revertida a trajetória de redução da pobreza que se vinha a verificar desde 2014, estimando-se que sejam agora mais de 4 milhões aqueles cujos rendimentos auferidos os coloca abaixo do limiar da pobreza.
Os dados reportam-se ao ano de 2020, mas apenas agora foram publicados, à boleia do assinalar da efeméride do Dia Internacional da Pobreza.
Mesmo não se conhecendo os dados do corrente ano, o cenário será, seguramente, ainda mais devastador, a avaliar pelas condições económicas e sociais cada vez mais adversas com que nos deparamos, designadamente a subida da inflacção, das taxas de juro, etc….
Vem esta reflexão a propósito da correlação íntima entre o fenómeno da pobreza e da saúde, que, de mãos dadas, desenham um círculo vicioso do qual decorrem efeitos arrasadores.
A origem de grande parte das iniquidades em saúde advém efectivamente de factores sociais, uma vez que determinam o acesso a importantes recursos que podem ser utilizados, não só para minimizar as consequências das doenças, como para promover a saúde.
A pobreza, enquanto conceito multidimensional, representa um obstáculo relevante na melhoria da saúde da população e na redução das desigualdades.
O nível de rendimentos, o nível de escolaridade/literacia condicionam a prevalência de doenças crónicas. Por seu turno, o sofrimento psicológico ou o nível de dependência e a menor acessibilidade aos serviços de saúde acentuam essas desigualdades.
Em suma, as pessoas com menos rendimentos acabam por adoecer com maior frequência e, uma vez doentes, mais pobres ficam.
Por outras palavras: a pobreza é causa de doença e a doença é causa de pobreza.
Neste contexto, assume especial preponderância uma intervenção comunitária cada vez mais alargada, próxima e capaz, mitigadora de desigualdades em diferentes esferas da vida e, neste caso em particular, nos temas da promoção da saúde e prevenção da doença.
Mais do que falar, é necessário fazer mais e incentivar um comportamento ativo, e não meramente reactivo, para combater a pobreza.
Uma luta cuja responsabilidade deve ser assumida por todos os atores sociais, desde a sociedade civil até aos órgãos de decisão política de nível local, regional e nacional.
PS: O autor opta por escrever segundo o acordo ortográfico precedente.
Autor: Mário Peixoto