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Bento XVI – conversas finais

O cabeçalho deste artigo é o título dum livro sobre o Papa Emérito, Bento XVI, que se encontra à venda nas livrarias, que adquiri e li e sobre o qual apresento algumas ideias. Trata-se dum alongado diálogo com um jornalista alemão, Peter Seewald, que acompanhou Bento XVI durante 20 anos. Começou por referir-se à situação atual do ex-Pontífice, à sua vida humana e espiritual e ao contexto em que está inserido, nomeadamente na proximidade do Papa Francisco. Uma das perguntas que lhe foi dirigida refere-se à sua aceitação do Papado numa idade já adiantada. Bento XVI respondeu afirmando que no pré-conclave muitos cardeais suplicaram, de antemão, que o eleito por dois terços não recusasse a eleição. E essa foi a razão principal da sua aceitação, uma vez que atingiu esse nível. Perguntou-lhe se passava “noites escuras”, que acontecem a certos místicos. Respondeu que não passava por essas noites de sentido místico, mas de preocupação pelo que se passa no mundo “quando à minha volta acontecem coisas humanas a propósito das quais nos interrogamos sobre como é possível o bom Deus permiti-lo. Como há tanta maldade e tantas outras coisas. Como isso é compatível com a Sua omnipotência e a Sua bondade. – “Um Papa Emérito também tem medo da morte? Ou pelo menos de morrer?” – “De certa maneira, sim. Antes de mais, há o receio de vir a ser um peso para as pessoas, se houver um longo período de incapacidade. Isso seria para mim muito confrangedor”. Referiu-se depois a alguns aspetos dos seus sentimentos e pesares, nomeadamente de não ter tratado bem as pessoas. “Não são fragmentos muito grandes, mas são tantas as coisas em que somos obrigados a dizer que podíamos e devíamos ter feito melhor”. Foi inquirido a respeito da vida eterna. Referiu-se afirmando que é uma vida plena. O crente confia que aí estará verdadeiramente em casa. Lá poderá reencontrar os pais, irmãos e amigos. – “Considera-se um iluminado?” – “Ser iluminado é ser elitista. Eu sou um cristão normalíssimo. Trata-se de reconhecer a verdade, que é uma luz. A fé é uma iluminação. Para os gregos o batismo é photismos, iluminação”. É útil conhecer o pensamento dum Homem que deu muito à Igreja, não só como Vigário de Jesus Cristo, durante oito anos, mas também como teólogo estudioso e profundo. E como mestre. Foi professor universitário na Alemanha. Foi e continua a ser um grande polígrafo. São centenas os títulos de livros que publicou, atingindo alguns milhões de vendas. Um dos mais importantes foi JESUS DE NAZARÉ, em três volumes. Ler o Cardeal Joseph Ratzinger é entrar no âmago da fé e na vivência espiritual, muito enriquecedora. Pessoalmente, tenho lido esse grande Autor e continuarei a lê-lo com especial gosto e proveito.
Autor: Manuel Fonseca
DM

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10 dezembro 2017