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Beirute, uma estranhíssima coincidência

  1. Uma explosão gigantesca, a apenas 2 dias da comemoração dos 75 anos de Hiroxima). O principal intuito deste meu artigo é o de dar mais relevo do que foi dado, ao facto de a super-explosão ocorrida junto ao enorme silo de cereais do porto de Beirute, ter acontecido quase 75 anos certos (3 quartos de século), contados desde a explosão da 1.ª bomba atómica em contexto militar. A qual ocorreu em 6 de Agosto de 1945 e teve como alvo (civil e militar) a cidade japonesa de Hiroxima, causando quase 100 mil mortos (muitos dos quais foram morrendo nos meses ou anos seguintes, fruto de queimaduras, lesões ou da radioactividade induzida nos seus corpos).

  2. E apenas a 5 dias de a bomba atómica sobre Nagasaki fazer 75 anos). Ainda mais poderosa que a de Hiróxima, a bomba que o exército norte-americano lançou sobre Nagasaki (9 de Agosto de 1945) terá causado quase 3 vezes o n.º de vítimas que causou a primeira. No calão da propaganda político-militar dos nova-iorquinos, a de Hiroxima era o “little man” e foi lançada desde o avião “Enola Gay”; e a de Nagasaki era o “big fat man”. Estas bombas atómicas (“armas” de destruição macissa) foram desenvolvidas pelo grupo de cientistas do famoso “projecto Oppenheimer”. Que era formado por vasto grupo de investigadores, em boa parte judeus e escapados a tempo do regime nazista. Os quais trabalhavam numa base secreta, no deserto do Nevada, desenvolvendo ideias criadas por Otto Hahn, Fermi e Albert Einstein, acerca da brutal energia que se pode obter, se se partir um átomo (“cisão do átomo”).

  1. Desculpas “esfarrapadas”, a marca Mazda e os jesuítas portugueses). 75 anos são 75 anos. E lembre-se então aqui que Nagasaki foi a principal cidade onde os missionários cristãos dos sécs. XVI e XVII procuraram fazer conversos. Onde foram martirizados 26 padres e fieis; e onde mais tarde foi eregida a catedral. Além disso é o cenário da algo fastidiosa ópera “Madama Butterfly”, de Puccini (o qual, na velhice, foi simpatizante do Fascismo). Já Hiroxima, renascida das cinzas, é a pátria da famosa marca automóvel Mazda (do japonês “Matsudá”). As bombas atómicas foram um crime de guerra, comparáveis aos campos de extermínio dos nazistas (ou pior ainda). Não fizeram tantas vítimas, porque só “foi preciso” deixar cair duas. O Japão pensou com calma e rendeu-se logo em Setembro de 45. Washington dizia que se não as tivesse usado morreria mais gente na (eventual) “conquista do Japão” por métodos convencionais.

  2. Beirute 2020, acidente ou atentado?). A coincidência temporal da gigantesca explosão no porto de Beirute, com os 75 anos exactos das bombas atómicas que os americanos lançaram sobre o Japão, decerto fará levantar suspeitas aos analistas mais avisados. Note-se que aquele material perigoso estava ali armazenado há cerca de 4 anos; por que razão haveria de explodir logo nesta altura? Será para desviar a atenção da comemoração de tão importante efeméride? Se foi, o objectivo foi conseguido; pouco mais relevo que o de costume foi dado às comemorações, de 6 a 9 de Agosto (datas das bombas atómicas). Profusamente filmada (estamos na era em que tudo é fotografado ou filmado no momento), a explosão de Beirute e o seu impressionante cogumelo (e onda de choque) representaram contudo apenas 1 décimo da força da bomba de Hiroxima…

  3. Israel, o Hamas ou o Daesh?). Os xiitas do Hamas têm andado na defensiva (tal como os seus aliados do Irão); e a fatia de poder que têm no Líbano actual, Cisjordânia e Gaza já serve para darem “muitas graças a Allah”. Israel sempre viu com maus olhos um vizinho a norte, como o Líbano tem sido, próspero e unido na sua diversidade (sunitas, cristãos maronitas, xiitas e druzos). Os fanáticos do que resta do dito “Estado Islâmico” cometem actos terroristas que só trazem antipatia geral contra a religião que dizem praticar. E nessa estrita medida, têm sido aliados objectivos de Israel. As 2.750 toneladas de nitrato de amónio apreendidas (encomendadas por uma empresa de Póvoa de Lanhoso para serem levadas para Moçambique por um velho barco russo) estavam ali à mercê de qualquer iniciativa terrorista. Talvez os mentores do acto não esperassem um resultado tão devastador, centenas de mortos, milhares de residências destruídas. Talvez tivesse sido apenas para deitar as culpas sobre os Xiitas, 4 dos quais estavam a dias de ser julgados pelo assassinato do antigo presidente Rafik Hariri…

  4. O Líbano de Fairuz e dos Fenícios). Grandes navegadores e comerciantes do 1.º milénio antes de Cristo, os Fenícios (com base em Biblos, Sídon, Tiro e Cartago) fundaram colónias até Espanha e Portugal (Portimão, Alcácer, Setúbal e talvez Lisboa e Figueira). Inventaram o vidro, a púrpura, a produção em série, “descobriram” por mar a céltica “Prytania” (Grã-Bretanha) e talvez tenham circum-navegado a África. Um dos maiores generais da História, Hannibal, era fenício (cartaginês). E talvez a maior cantora de língua árabe, quando era jovem, a grande Fairuz (casada com um dos irmãos Rahbani), é libanesa. No campo cristão, notável também é a voz da freira Marie Keyrouz. Mais alto que elas, só o monte Líbano, com os seus 3083 metros de altura.


Autor: Eduardo Tomás Alves
DM

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15 setembro 2020