Em menos de três meses, Barcelos viu partir três dos seus mais dedicados cidadãos: o José Gomes (“Pérola”), o comandante José Luís Quinta e, por último, o Dr. José Maria Ribeiro Rodrigues! Todos eles meus bons e leais amigos. Todos eles barcelenses dos quatro costados. Todos eles animados de acendrado bairrismo. Todos eles capazes de conciliar as suas intensas vidas familiares e profissionais com a entrega abnegada e desinteressada ao serviço de várias instituições públicas e privadas de solidariedade social, políticas e desportivas.
Com efeito, no passado Domingo, foi a vez do Dr. José Maria Rodrigues que Deus quis chamar para junto de Si, em pleno período quaresmal, para lhe antecipar a páscoa eterna, depois de alguns meses de dura provação, suportada com estoicismo e resignado recolhimento interior.
E se é verdade que nós, cristãos, suportamos melhor a dor do luto por sabermos não ser esta a verdadeira vida, não podemos deixar de nos entristecer com a partida deste nosso querido amigo, cuja bondade de coração e grandeza de carácter não podem deixar de referenciar-se.
Pessoa simples e discreta e homem de bem, notava-se-lhe uma especial bonomia e esmerada educação que aliava a uma espontânea simpatia e ar sorridente, atributos que sublinhavam a sua natural disponibilidade para fazer amizades, ajudar o próximo e servir desinteressadamente as instituições da sua amada terra.
Recordo aqui, por isso, o gosto e empenho com que serviu o município de Barcelos, quer como vice-presidente da Câmara e vereador quer como deputado municipal, assim como o tempo e zelo que dedicou a outras instituições da cidade – entre as quais destaco os Bombeiros Voluntários, o Rotary Clube, a Santa Casa da Misericórdia, o PSD e o Gil Vicente Futebol Clube –, cujos corpos dirigentes integrou.
E mesmo quando algumas vezes sentiu desgostos ou sofreu ingratidões, nunca se deixou corromper pela maledicência nem se serviu do poder para mesquinhas vinganças ou para bater em vencidos. Mas antes para ajudar os mais fracos e salvaguardar a honra das instituições a que pertenceu.
Outra faceta por que se distinguiu foi o seu lugar na família que formou com a sua esposa e também minha querida amiga, Teresa Mesquita. Marido amantíssimo – e reciprocamente amado – e pai extremoso, foi sempre um amigo, companheiro e confidente dos filhos, por quem igualmente foi querido e admirado. E foi também avô babado, paciente e brincalhão.
Este exemplo de vida terá continuação, estou certo, nos seus filhos que o choram amargamente, mas que dele bem se podem orgulhar.
É este o Homem e o Amigo que no início desta semana foi a sepultar.
Que descanse em paz!
Autor: António Brochado Pedras