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Até os «vencedores» são mortais!

  1. Às vezes, até quando pensamos, não pensamos no mais simples, no mais elementar, no mais evidente.

Ou, então, agimos em sentido contrário ao do pensamento.

  1. Sabemos que tudo passa, mas actuamos como se nós não passássemos, como se as nossas conquistas fossem irreversíveis.

Depreendemos que as nossas decisões não serão revertidas por ninguém.

  1. Era bom, por isso, que escutássemos o grande Agostinho de Hipona: «Todos os dias do tempo vêm para deixar de ser. Cada hora, cada mês, cada ano, tudo passa».

E nós mesmo com os nossos tesouros e as nossas ambições também havemos de passar.

  1. Por conseguinte, para que tantos ódios, tantos conflitos e tantas vítimas?

Porque não percebemos que os que matam também morrem? Que os que compulsivamente impedem os outros de (continuar) a ser também hão-de deixar de ser?

  1. Voltando a Santo Agostinho, diria que é tempo de compreender que cada momento só «antes de vir, será; quando tiver chegado, deixará de ser».

Um presuntivo vencedor não se eterniza na sua vitória. Também enfrentará a sua hora de partir.

  1. Parece que os imperadores romanos, quando celebravam triunfos militares, faziam questão de se acompanhar de um escravo.

A sua única função era dizer-lhes, à guisa de um oráculo: «Olha que também és mortal». Por outras palavras, era como se lhes lembrasse: «Mataste, mas também morrerás».

  1. Já não é pouco viver e aprender a viver. E muito melhor viveríamos se, na vida, também aprendêssemos a morrer. Notaríamos que, afinal, até estamos todos ligados, até somos todos irmãos.

Se a morte atinge a todos, porquê infligi-la — desapiedadamente — a tantos? As vítimas passam, mas os que as provocam também não são perpétuos.

  1. Já verificamos que estamos sempre a dizer «foi»? Afinal e como poetou António Gedeão, «tudo é foi».

Só Deus «É». E de novo Santo Agostinho «como é grande este «É».

  1. «Diante d’Ele, que é o homem, seja ele qual for?» Não esqueçamos que «uma geração passa, outra lhe sucede».

As gerações humanas «são como as folhas nas árvores. A terra leva sobre si os homens, como uma árvore. Mas, olhando para debaixo da árvore, vemos que caminhamos sobre um tapete de folhas secas».

  1. Juntemo-nos a Deus; não pretendamos seria o supremo topete substituirmo-nos a Deus. No fundo, «quem somos nós, com os nossos anos, que mais não são do que farrapos?»

Como alertou Karl Kraus, não demos (mais) razões de optimismo ao diabo, que «está a tornar os homens piores». Paremos as guerras. Arrumemos as armas. Pensemos na vida. E deixemo-nos conduzir por Deus!


Autor: Pe. João António Pinheiro Teixeira
DM

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25 outubro 2022