Opaís está em plena campanha eleitoral para as europeias de maio; e na certeza de que mais do que para os melhores resultados nas europeias, os políticos trabalham afincadamente para o maior sucesso nas legislativas de outubro, cujo mais despudorado exemplo vem do primeiro-ministro que não permanece no seu gabinete de S. Bento.
E os meios de que se servem para atingir tais fins não dispensam muita verborreia, muita conversa de treta, muita demagogia e, naturalmente, as inevitáveis ações cromáticas que passam pelas promessas de amanhãs cor-de-rosa, à mistura com o vermelho, o rosa, o laranja, o verde e o amarelo que definem as cores partidárias em todos os artefactos de campanha.
Todavia, não estão postos de parte os ataques entre dirigentes, candidatos e demais elementos partidários a par das louvaminhas pessoais e de grupo chamando a atenção para o que se fez de bom ou se não fez de mau; e, porque a memória do eleitor sofre de abundantes e constantes amnésias, fácil se torna vender-lhe gato por lebre ou chicharro por camarão.
Ora, é nestes períodos eleitorais que mais se destacam os vendedores de banha de cobra que curam todos os males e mezinhas do povo e do país; e, assim, os comícios, os debates e ações mediáticas e de rua se transformam em autênticos e descarados lavadouros públicos, à moda antiga, onde abundam as barrelas de roupa muito suja, seja de mentiras, patranhas e traições, seja de punhaladas nas costas e pontapés nas canelas e traseiros; sobretudo, de exposição pública de muita lixarada e má-língua, num evidente e maléfico atentado ambiental que faz do país, nesse longo período pré-eleitoral, uma inevitável e sórdida lixeira a céu aberto.
E para que não restem dúvidas, ainda, há dias, a coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), a loquaz e arguta Catarina Martins, num golpe de bonomia e moralismo em que é artista, referindo-se à campanha para as europeias, declarava: vamos ter uma campanha em que, seguramente, haverá muito lixo, haverá muitos ataques descabelados, muitas mentiras e ainda temos visto isso crescer em vários países e que chegará a Portugal, pelo que a campanha vai ser contaminada por pessoas que discutem tudo menos o essencial.
Pois bem, assim falou Catarina alto e bom som; e porque Catarina sabe bem demais do que fala, desde que lhe meteram na mão o microfone, como se costuma dizer, facilmente se tornou, qual Guterres ou Sócrates, numa picareta falante, fala-que-fala, opina-que-opina sem dizer grande coisa; só que, seguindo a ação política do partido que lidera, onde as ideologias maoistas, trotskistas e leninistas abundam, é caso para dizer que se o bom exemplo de cima deve sempre vir, é de temer que Catarina não fique bem na fotografia, quando quer dar lições de civismo, de liberdade, democracia e igualdade que não são habituais em partidos autocráticos.
Até porque quem atento andado tem às coisas políticas que por aí abundam, o BE tem nas medidas fraturantes que não colhem a vontade do país real e total, algumas das quais fez aprovar, a sua coroa de glória, de triste glória digo eu, mormente na liberalização da toxicodependência, na luta pela autorização da eutanásia, na aprovação dos casamentos homossexuais, na descriminalização do aborto, na adoção de crianças por casais gay, na luta contra a iniciativa privada e as grandes fortunas.
Agora, vamos esperar para ver se Catarina Martins vai seguir a máxima do olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço, cujo exemplo já tem no seu colega de partido, Robles; porque se assim for, o Bloco de Esquerda que ela coordena fará, igualmente, durante a campanha eleitoral para as europeias as carradas de lixo que nas suas recentes declarações critica e condena; e a cumprir-se o que dizia Adenauer (Konrad), político alemão (para se ser um bem social-democrata aos 40 anos, terá de se ser um revolucionário aos 18 anos), Catarina Martins, se não for uma exceção à regra, já está lá perto.
Então, até de hoje a oito.
Autor: Dinis Salgado
Assim falou Catarina
DM
20 fevereiro 2019