Aprender a viver em sociedade é a capacidade humana mais relevante a que o homem pode aspirar. Esta arte adquire-se ao longo da vida, desde o berço, no ambiente familiar, na escola e no dia a dia de qualquer sociedade. O respeito por si e pelos outros, bem como a educação cívica e moral, pelo menos nos seus princípios fundamentais, são muito secundarizados ou pouco considerados pelas pessoas.
O ser humano cresce num meio social em que cada um procura safar-se por entre os pingos da chuva, tentando molhar-se o menos possível. O que interessa é atingir um modo de vida com o menor esforço possível. O seu objetivo não é uma realização pessoal conseguida por uma labuta diária e que exija trabalho contínuo e árduo. Elas procuram alcançar uma profissão que lhes proporcione um bem-estar seguro, mesmo que isso atropele os direitos dos outros. A honestidade e a lisura moral contam pouco.
É por isso que as fraudes e a corrupção se generalizaram. A formação de uma personalidade e de um caráter sólidos são princípios que deixaram de ser prioritários. Esqueceu-se que o caráter é a soma de milhares de pequenos esforços para se viver de acordo com o que de melhor há em nós.
Ele tem que ser construído por nós a partir do maior respeito por nós próprios, pelos outros ou pelo cumprimento dos princípios éticos universais. Só com uma consciência construída no maior respeito pela dignidade humana é que se consegue a formação de uma personalidade vertical e séria. A maior parte dos males não pode ser atribuída diretamente a forças físicas ou psíquicas, mas resulta da falta de força interior de cada um de nós, muitas vezes, pela pouca atenção dada ao desenvolvimento moral e cívico do nosso ser.
Para o homem, mais importante que tudo, é a descoberta e a compreensão da necessidade do seu próprio desenvolvimento psíquico. Viver e sobretudo saber viver é uma permanente aventura a caminho de objetivos grandiosos e com benefícios perfeitamente garantidos, sem receio de ser afetado internamente por qualquer tipo de crise transcendente.
A fronteira mais vital e relevante do homem consiste em aumentar a qualidade da sua própria estadia terrena, aperfeiçoar a sua natureza e desenvolvê-la de um modo integral. Já dizia Erich Fromm: “O nascimento não é um ato, é um processo. Viver é nascer a cada instante”.
A humanidade pertence a uma forma de vida que determina, em larga escala, o seu próprio destino, elabora os seus programas de educação e de conduta, e, portanto, influencia todos os passos que podemos dar dentro da estrutura do nosso sistema social. Mas o poder dos seres humanos que determina os seus próprios destinos é limitado pelas grandes leis da Natureza e de Deus. Assim, aconselha-se cada um a descobrir essas leis (que são subjacentes à essência da natureza humana) e a viver de acordo com elas. O contrário é loucura.
Os modos de vida desconformes com estes princípios levam as pessoas à ganância, às guerras, à exploração dos mais fracos e aos abusos de toda a ordem. Aliás, é o que se vê com as medidas de uma austeridade encapotada e que causticam os menos afortunados pela vida, os marginalizados e discriminados pela alta sociedade. Onde vão parar sempre os grandes lucros da banca? Como foram adquiridas as enormes fortunas de muitos multimilionários?
Autor: Artur Gonçalves Fernandes