A arrogância mórbida, a incompetência permanente e a cobardia perene e acintosa produz, na maioria dos casos, uma vingança persecutória sempre direcionada para os subalternos, para os opositores e até para o povo. Felizmente, há bastantes exceções. Também se veem políticos que se evidenciam pela preocupação pelos outros, pela intenção de resolver os seus problemas mais urgentes e de pugnar pelo bem comum. Em certos políticos ainda predominam os sentimentos da humildade cívica, da elevação no trato, do respeito pela dignidade humana e do desejo de justiça social.
2 – A incongruência das pessoas.
Não podemos olvidar que todos nós temos que viver em sociedade e que precisamos uns dos outros. Nenhuma pessoa é autossuficiente, vivendo sozinha. Uma parte daquilo que possuímos vem dos outros. Somos criaturas gregárias por natureza. Além disso, a vida dá-nos permanentemente grandes e úteis ensinamentos em que devemos meditar. A nossa existência diz-nos que não há cargos políticos que sempre perdurem, nem subalternizações humilhantes perenes. A vida é como os alcatruzes das antigas noras: ora estão em cima, ora estão em baixo. O poder, nos países verdadeiramente democráticos, não se eterniza, mas passa por uma maior ou menor alternação entre os partidos pluralistas.
3 – O incivismo nas relações humanas.
Nada adianta aos políticos insultarem-se uns aos outros, porque quem se ri agora, mais cedo do que pensa estará a chorar. As geringonças, ardilosamente formadas, vão beneficiando um único parceiro, enquanto os outros, que, por vezes, dão os seus projetos, sugestões e propostas, ficam-se sem qualquer benefício eleitoral que pensavam ir obter. É que o povo, no fundo, não anda a dormir: está já suficientemente informado, devido aos conhecimentos adquiridos e à perspicácia e sagacidade que lhe é peculiar. Já está cheio de ditaduras e de governos prepotentes. Porém, ainda há partidos que, mesmo profundamente derrotados, continuam a afirmar que subiram nas votações, consideradas por eles na sua globalidade. E quando admitem a derrota, vão procurar as razões explicativas do seu falhanço estratégico-ideológico em causas totalmente deslocadas e erradas. A ideologia incoerente e interesseira falha sempre o alvo pretendido. São as consequências de políticas hipócritas e prepotentes, nada consentâneas com a natureza humana e os verdadeiros anseios do povo.
4 – A ausência de ética na vida quotidiana.
O homem vive em sociedade, mas não é para ser vexado, nem explorado pelos outros. A dignidade humana exige uma vivência em perfeita harmonia. Só uma linguagem verídica e umas promessas viáveis poderão contribuir para a implantação de políticas que se direcionem para uma verdadeira solução das necessidades do povo. Os responsáveis devem governar com sensatez, civismo e ética. O contributo contínuo para a promoção do bem comum é fundamental para o equilíbrio social e para a defesa e estabelecimento real de uma justiça social duradoira.
Autor: Artur Gonçalves Fernandes
As contradições políticas, ideológicas e éticas nas atitudes humanas
DM
12 outubro 2017