Numa altura em que assistimos diariamente, nos programas televisivos, aos maiores insultos pessoais e ataques a instituições, protagonizados por elementos ligados aos três principais clubes deste país, creio que é hora de se fazer uma avaliação da situação que quanto a mim é desastrosa e não contribui em nada para um ambiente salutar que se deseja na atividade desportiva.
Tudo aquilo que a essência do desporto preconiza e que Pierre de Coubertin idealizou sob o lema “O importante não é vencer, mas sim competir com dignidade!”, nada disto está a acontecer atualmente.
Apertar a mão a alguém no contexto desportivo é, entre muitos outros significados, um ato de respeito. Em primeiro lugar de agradecimento (a adversários, árbitros, dirigentes) por ser possível desfrutarmos de uma determinada competição, com a colaboração e participação de todos.
Por outro lado é um momento e reforço da cumplicidade entre elementos da equipa de arbitragem, atletas da mesma equipa, atletas adversários ou entre elementos das equipas e até do público em geral.
Num jogo de qualquer modalidade os imensos momentos de confraternização através de atos de cumprimentar, o aperto de mão simboliza, talvez o mais nobre e elevado ato, que se pode transmitir aos nossos jovens.
Ao apertarmos a mão aos árbitros, ao treinador adversário ou aos nossos colaboradores significa que assumimos a responsabilidade de darmos o nosso melhor, respeitando as regras, respeitando os princípios da preparação da equipa, respeitando os nossos atletas e os adversários. Sem mais eufemismos a “força” de um aperto de mão expressa (simbolicamente) a convicção, competência e honestidade intelectual de quem o executa e de quem o recebe.
E na bancada? Existirá este nobre ato entre adeptos das duas equipas? Responderão alguns leitores que sim, outros que não, ou outros que simplesmente esboçarão um riso ou sorriso como quem pensará: que utopia! Não estarão estes últimos tão longe da verdade.
As emoções, por vezes doentias, não reservam energias para que adeptos reconheçam nobremente que os adeptos rivais apoiem a respetiva equipa, quer tenham ganho ou perdido.
“Isso é perder tempo e é de anjinhos”, dirão alguns. Pois bem, não sendo lógico que adeptos rivais se cumprimentem, ou que até o treinador vencido venha cumprimentar o adversário, será lógico que qualquer agente desportivo, nomeadamente no desporto jovem, exerça essa função de forma coerente, respeitando em primeiro lugar as suas funções.
Sim, porque um adepto que se desloque a um recinto desportivo para assistir a uma competição juvenil, em 99 por cento dos casos será pai ou familiar de um dos protagonistas (atletas). Nessa situação deverá levar consigo algo mais do que o sentido familiar.
Deverá ser capaz de aprender mais do jogo por forma a poder filtrar o entusiasmo perante eventuais decisões de arbitragem, menos assertivas.
Deverá contribuir para que o ambiente naquele recinto seja salutar com o seu entusiasmo e boa disposição.
Por isso, numa época em que a amizade e a solidariedade são palavras que nos marcam mais dêmos nós um forte “aperto de mão” para que tenhamos um ambiente mais agradável e salutar!
Autor: Luís Covas
Aperto de mão
DM
15 dezembro 2017