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Apanhados 5

Convidam-se os autores autárquicos responsáveis pelo ordenamento rodoviário na rua do Raio a apreciar o pandemónio ali reinante às horas de ponta e que são as de recolha e entrega de crianças na Creche e Berçário; e tendo a certeza de que levarão as mãos à cabeça como forma de espanto e desespero pela monstruosidade que ali geraram. Ora, até um cego enxerga e um néscio alcança que as faixas destinadas ao tráfego automóvel e ao Kiss & Go não respondem minimamente às necessidades para que foram criadas, pois demasiado estreitas são para permitirem, com segurança e fluidez, transitar e recolher e largar crianças, ao mesmo tempo com tranquilidade; por isso, se observam constantes fenómenos de impaciência nos automobilistas com vozearia e buzinadelas à mistura. Depois olhando para o corredor que criado foi para uso exclusivo dos TUB (Transportes Urbanos de Braga), bastante vazio mas vizinho de tamanha bagunçada, motivo é para ponderar seriamente a situação e, talvez, permitir a utilização deste corredor para desviar, por exemplo, para ali os utilizadores do parque de estacionamento do Rechicho; ou, então, desviar mais para cima ou para baixo, a única paragem dos TUB que está frente à Creche, criando, assim, nesse local, um desvio para o trânsito normal. Igualmente a juntar a esta salgalhada, dado que as zonas de cargas e descargas do Centro Comercial e outros serviços públicos estão sempre ocupadas por automóveis que ali estacionam ou param para uma rapidinha, os veículos de cargas e descargas entopem a via de trânsito para fazerem o seu trabalho, originando, deste modo, filas de automóveis que chegam aos semáforos da Senhora-A-Branca; e, deste jeito, ter de circular pela rua do Raio transforma-se num tremendo pesadelo. Mas, há mais: esta é uma rua onde se concentram várias repartições de serviços públicos como as Finanças, os Correios, o Hospital Privado, as Conservatórias do Registo Predial e gabinetes privados de advogados e notários; ora este facto vem lançar mais achas para a fogueira rodoviária já tão ardente e explosiva; porque, apesar de ali existirem parques de estacionamento, os utilizadores desses serviços, talvez dada a crise económica reinante, preferem parar em segunda fila e correr aos ditos serviços, enquanto o trânsito entope de vez; Ainda para mais adensar a problemática existente, o desligar dos parcómetros na rua caiu como mel na sopa para quem não respeita os direitos alheios e faz da rua que é de todos seu uso exclusivo e por todo o dia; ora, então, digam-me lá se numa rua tão central da cidade como esta se pode consentir tamanha impunidade. Pois bem, perante a realidade de tais factos, os argumentos mais relevantes que existam para manter a atual situação na rua do Raio caem por terra e apontam para novas, mais práticas e funcionais soluções que podem passar, penso eu que não sou especialista na matéria mas tenho olhos na cara para ver, pelo condicionamento, total ou parcial, do trânsito; até porque muito desse trânsito me parece não ser de eminente necessidade e pode muito bem ser desviado para outras ruas; e, assim, a rua do Raio destinar-se-ia fundamentalmente ao uso dos parques de estacionamento, ao acesso à Creche e Berçário e ao serviço de cargas e descargas de apoio ao Centro Comercial e outros serviços públicos. Porque, a manter-se a presente situação ou os automobilistas desistem de utilizar esta rua e procuram alternativas para as suas necessidades ou a decisão, embora drástica e impopular de condicionar o trânsito, terá de ser urgentemente equacionada, sobretudo porque mais fácil e menos complicado é tomar tal decisão do que deslocar a Creche, o Berçário, os serviços públicos e privados, o Centro Comercial e cafés e restaurantes para outro local da cidade. E isto para que possamos finalmente declarar que É BOM VIVER EM BRAGA! Então até de hoje a oito.
Autor: Dinis Salgado
DM

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27 fevereiro 2019