Que falta sinto do teu siso, pá,
Quando folheio esse jornal diário
E não encontro quem me contará
O que se passa lá no balneário.
Grande avidez por livros tu nos deste,
Moldaste nossas mentes, convicções.
Soubeste ser sapiente e bom Mestre;
Decorámos tuas belas lições.
Nesse jeito humilde e desengonçado,
Feito de integridade e simpatia,
Tornavas tudo bem mais engraçado,
Alegravas o nosso dia a dia.
E, quando houvesse quem por ti chamasse,
– Fosse real ou vã necessidade –,
Nunca deixavas que alguém só se achasse,
De sorriso aberto e boa vontade.
Já te imagino junto de Quem pode
Alterar fados, túneis, trevos ruins,
Comendo arroz de pato, no pagode,
A interceder pelos nossos bons fins.
Ó nosso Tito Lívio, grande arauto,
Descomplica esta dor com tua pena,
Na tua despedida foste incauto,
Por ser tão breve a morada terrena.
Gostaria de prestar a minha homenagem ao vosso colaborador (e meu amigo) Manuel Cardoso, o qual seguia atentamente nas crónicas semanais publicadas no vosso jornal, através deste poema que escrevi em sua memória.
Obrigado pela publicação das suas crónicas e por, assim, nos tornarem leitores habituais do vosso DM.
Autor: Hugo Sá Pinto
Ao nosso Cardosão
DM
22 fevereiro 2018