Partiste, partiste muito cedo, porém este partir não é sinónimo de morte. E não significa morte, porque almas grandes, como a tua, não morrem, apenas desaparecem do nosso convívio, o que é na verdade uma verdadeira tortura!...
Tens na verdade uma alma do tamanho do mundo, porque sempre viveste a servir os outros e a esquecer-te de ti próprio...
A tua vida foi, realmente, uma vida “cheia”, “plena” de alegrias, quando conseguias ajudar o teu semelhante... E é por essa razão que Deus não fica indiferente à maneira como tu tornaste tão rica e bela a tua existência, que muito embora relativamente curta no tempo, foi extraordinariamente rica e bela em relação ao fim para que fomos criados...
Fizeste-nos muita falta, para nós família, esposa e filhos, muito em especial para mim, pois em tudo sinto a falta daquele ombro amigo, sempre pronto a ajudar-me e preocupado que eu estivesse bem e feliz e principalmente com saúde. Sentiram também muito a tua falta os filhos e “netos”, pela sabedoria que tinhas e com a qual os poderias ajudar muito no futuro.
E, como eu tive ocasião de dizer aos “netos” várias vezes, que eras na verdade uma pessoa com uma cultura invulgar e fora de série!...
Eras de facto incansável na procura de mais e mais conhecimentos, através dos livros, que tu tanto estimavas!...
Tiveste realmente um percurso duro e trabalhoso, pois todo ele foi feito, como aluno voluntário, ou seja, a trabalhar e a estudar. E assim conseguiste chegar ao fim do teu curso, de Sociologia, tirado no Inst. Superior de Ciências Sociais de Lisboa.
O facto de terminares esse curso permitiu que mais tarde ocupasses um lugar de chefia, na Segurança Social de Braga. Porém, não satisfeito ainda e ávido de mais e mais sabedoria matriculaste-te na Universidade do Minho, para tentar fazer o mestrado em Sociologia, o qual não chegaste a acabar, muito embora, com muito boas notas e ótimas informações dos senhores professores, que tiveram grande desgosto que não tivesses prosseguido e chegado ao fim.
Convém dizer que frequentaste também a Faculdade de Letras do Porto, onde fizeste um baxarelato em História. Isto antes de frequentares o Inst. Superior em Lisboa. Nos dias de hoje, 3 anos, correspondem a uma licenciatura em História.
Autor: Albertina Paiva Matos