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Alterações toponímicas europeias, desde 1918

  1. Mudanças políticas, guerras, conquistas, independências). São factores como estes que, desde o alvor dos tempos têm mudado o nome por que são conhecidas aldeias, vilas, cidades, rios, Estados. Proponho-me, neste curto trabalho exemplificar o fenómeno, com muitos dos casos que ocorreram desde o final da Guerra Mundial de 1914-18. Note-se que, também é habitual que a parte perdedora continue por décadas a referir-se aos topónimos alterados, com as designações “que sempre tiveram”. As quais, subsistem por mais tempo se o conflito político alterador, gerou ódios ou desprezos difíceis de apagar.

  2. A aceitação da mudança é mais fácil para aqueles que nem sabiam da existência dessas localidades, ou dos tais factos históricos). Por mais extraordinário que possa parecer, esse foi o caso evidente de boa parte dos comentadores ou simples jornalistas (inclusive da rádio e TV) quando na década de 90 do séc. XX abordavam a desagregação de grandes Estados federais, como a URSS; ou da Iugoslávia; ou da União Sul-Africana. Para pessoas como eu, desde há muito estudiosas da História, Geografia e Etnografia (e que para mais, como no meu caso, já haviam estado 2 vezes na ex-Iugoslávia, antes da sua mal desenhada desagregação), esta total ignorância dos topónimos tradicionais e automática adopção dos novos, parecia particularmente revoltante. Sobretudo os de língua polaca (que tal como o francês, se escreve de uma maneira e se lê de outra). Exemplo disto, a adopção dos novos nomes de cidades que em português sempre foram conhecidas pelos seus nomes alemães (p. ex. Breslau, Danzigue, Stetin, Posen, Bromberg). E que em polaco se escrevem agora Wroclaw, Gdansk, Szczecin, Poznan, Bydgoszcz (e que se pronunciam, mais ou menos, “Vrotsuav”, “Gdansk”, “Chtchétsin”, “Poznanh”, “Biudgochtch”); e não como se ouve nos “media” portugueses.

  3. Alterações de nomes, na Europa Central e Oriental). Na mesma Polónia, as 3 grandes províncias históricas que a Alemanha perdeu em 1945, mudaram elas próprias de nome. A Silésia (de Schlesien para Slanzha); a Pomerânia (de Pommern para Pomorze); a Prússia Oriental (de Ost Preussen para Mazury e o seu norte, agora russo, para Kaliningradski Oblast). A hoje Rep. Checa (ou Tchéquia) dizia-se, nos vários séculos em que pertenceu à Áustria, “Böhmen” (Boémia). A Morávia (capital em Brunn, hoje Brno) dizia-se March (hoje, Morava). Prag (Praga) é hoje Praha; Pilsen é Plzen; Olmütz é Olomouc; Karlsbad é Karlovy Vary; Budweis é Cesky Budejovice; Ostrau é Ostrava. Na actual Eslováquia (“Slowakei” deu “Slovensko”), p. ex. Pressburg deu Bratislava e Tyrnau, Trnava. Na antiga Prússia Oriental, Allenstein deu Olsztyn, Marienburg deu Malbork, Königsberg deu Kaliningrad, Tilsit deu Sovijetsk, Marienwerder deu Kwidzyn. Voltando à Silésia e Pomerânia, de hoje, polacas, Opole já foi Opeln, Gliwice foi Gleiwitz, Zabrze foi Waldenburg, Bytom foi Beuthen, Nysa foi Neisse, Zgorzelec foi Görlitz, Walbrzyk foi Waldenburg, Jelenia Gora foi Hirschberg (e Zielona G. foi Grunberg). Slupsk foi Stolp, Tczew foi Dirschau, Kolobrzeg foi Kolberg, Gorzów Wielkepolsi foi Landsberg, Kostrzyn foi Küstrin, que sei eu.

  1. Alterações, nos Bálcãs). Na Eslovénia, Ljubljana em alemão, era Laibach; e Maribor, Marburg. Na Croácia, há todas as variantes italianas, na zona da Dalmácia croata: Fiume por Rijeka, Zara por Zadar, Spalato por Split, Cataro por Kotor, Ragusa por Dubrovnik, Montenegro por Crna Gora. Na Albânia (agora, Shqipëria) as formas nativas relegam as italianas: Shkodër por Scutari, Durres por Durazzo, Vlore por Valona, etc.

  2. Algumas antigas formas húngaras e alemãs, de cidades romenas, croatas e sérbias). Era assim, porque até 1918, boa parte da Croácia e toda a vasta Transilvânia (hoje romena) pertenciam ao reino da Hungria (que por sua vez pertencia amigavelmente à Áustria imperial). Assim, Oradea (Nagyvárad), Timisoara (Temeszvár), Cluj (Koloszvár), Brasov (Kronstadt), Sibiu (Hermannstadt), Zagreb (Agram), Osijek (Esseg), Pecs (Fünfkirchen), Pozarevac (Passarovitz), Sremski Karlovci (Karlowitz), Zemun (Semlin), Sisak (Sissek), etc.

  3. E a moda chegou a Espanha). Falecido o sábio e saudoso “caudillo”, muitos passaram logo a dizer Bilbo (em vez de Bilbao), Donostia (S. Sebastián), Irunea (Pamplona), Gasteiz (Vitoria), Galiza (Galicia), A Guardia (La Guardia), Arousa (Arosa), Ourense (Orense), Toxa (La Toja), Fisterra (Finisterra), Lleida (Lérida), Alacant (Alicante), Girona (Gerona), Castelló (Castellon de la Plana), Eivissa (Ibiza), Sagunt (Sagunto), Elx (Elche)… Assim esquecendo que só “united we stand, divided we fall”, como diz o célebre mote; que por acaso até é americano.


Autor: Eduardo Tomás Alves
DM

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29 novembro 2022