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Afirmação da mulher no desporto

Há anos que nos interrogamos porque não há mais mulheres no desporto, quer sejam praticantes ou espectadoras?! O desporto, assim como a vida, não é só de uma cor. É muito mais do que isso. A sua policromia consiste na alegria, na festa, na diversão, no convívio, no fazer dos jogos um tempo e um lugar de encontro. E as mulheres gostam disso. Sabem fazer isso. Infelizmente a participação da mulher no desporto é, ainda, desvalorizada, muito porque o modelo de organização desportiva, nos seus primórdios, foi idealizado por e para os homens, e as mulheres não contavam. No alto rendimento, a taxa de feminização é cerca de 30 por cento, que equivale a cerca de duas vezes menos que a dos homens. Não chegam medidas simbólicas, por muita importância que tenham. Temos de eliminar o preconceito e a desigualdade de oportunidades entre mulheres e homens. O desporto pode, e deve ser um exemplo de integração e de afirmação da mulher na sociedade. Apenas um em cada 10 treinadores e um em cada 10 árbitros são mulheres. A quantidade e qualidade estão em crescimento e devemos, com os valores intrínsecos ao desporto, fazer a diferença pela positiva, promovendo a valorização da mulher na sociedade. Enquanto atleta, é nos desportos individuais que a mulher tem um maior reconhecimento pelas suas performances, mas há muito que nas modalidades coletivas existe qualidade e que a competição substituiu o lazer. Não se pode ignorar o trabalho de tantas jovens e mulheres, nem o sacrifício com que o fazem. Rosa Mota, Aurora Cunha, Manuela Machado, Sara Moreira, Telma Monteiro, Patrícia Mamona, Auriol Dongmo, são os nomes de algumas atletas nacionais que ganharam destaque na sua modalidade desportiva. Exemplos de superação, trabalho e talento são referências incontornáveis do desporto português. No futebol feminino temos assistido a uma evolução fantástica. Hoje já competem com qualquer outra seleção do mundo. A comunicação social não trata, ainda, com igualdade as performances do desporto feminino e masculino, mas tem melhorado muito e já há canais televisivos a transmitir jogos em direto. No dirigismo, os casos de mulheres com funções dirigentes nas organizações desportivas são raros, mas também tem crescido muito, nomeadamente na Liga Portugal onde se destacam cinco mulheres no desempenho de funções diretivas, com destaque para Sónia Carneiro, Diretora Executiva desse organismo. A erradicação dos estereótipos de género desempenha um papel fundamental na eliminação das barreiras que limitam o acesso das mulheres a posições de liderança no desporto. Os cargos devem ser ocupados pelo mérito. E existem muitas mulheres que o têm. Apesar do aumento gradual da sua participação no desporto, as mulheres continuam sub-representadas nos órgãos de decisão das instituições desportivas a nível local, nacional, europeu e mundial. O desporto é muito mais bonito e melhor com “elas”, por isso incentivemos a participação da mulher no desporto, que já sendo numerosa, podendo atingir resultados que nos orgulhem a todos!
Autor: Luís Covas
DM

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30 setembro 2022