1. Na liturgia cristã Advento é o tempo que decorre desde o início do Ano Litúrgico até ao Natal. Prepara o Natal, como a Quaresma prepara a Páscoa. É constituído por quatro domingos que vão desde o mais próximo de 30 de novembro até à noite de 24 de dezembro.
Evoca a expectativa dos Patriarcas e Profetas do Antigo Testamento em relação ao Messias.
É um tempo de esperança, marcado pela recordação do nascimento de Jesus e pela expectativa da Sua vinda gloriosa no fim dos tempos.
Prepara-nos para acolhermos não apenas o Menino Jesus mas o Cristo morto e ressuscitado, «sentado à direita do Pai» e que «há-de vir em Sua Glória», pois o mistério de Cristo não pode ser dividido em dois elementos independentes. Encarnação e Redenção são inseparáveis.
Recorda a primeira vinda de Cristo, há dois mil anos. Prepara para a celebração mística da vinda de Cristo no Natal. Chama a atenção para a segunda vinda de Jesus, a vinda de Cristo glorioso.
Tem duas partes: a primeira até 16 de dezembro, inclusive); a segunda, a partir do dia 17.
2. A vivência do Advento é marcada pela contenção, pela sobriedade, pela austeridade e pela interioridade.
É um tempo dominado pela esperança cristã, um tempo de expectativa, um tempo de acolhimento. É um tempo litúrgico em que se evidencia fortemente a dimensão escatológica do mistério cristão.
Não é tempo de festa, mas de preparação para a Festa. Os paramentos são roxos. A Missa não tem Glória. Há sobriedade nas flores e no canto.
Infelizmente, as ceias e «festas de Natal» que se realizam ao longo do Advento correm o risco de fazer esquecer as suas características essenciais.
3. São personagens principais do Advento Isaías, João Batista, a Virgem Mãe.
3.1.Chamado a profetizar em 738 a. C., Isaías pertencia à aristocracia de Jerusalém. A sua atividade coincidiu com os governos de Azarias, Jotão, Acaz e Ezequias, tempo em que Jerusalém foi assediada duas vezes por Rasin e Facee (735) e por Senaqueribe (701).
Lutou pela justiça social que ameaçava ser sufocada debaixo do poder e da riqueza de alguns indivíduos. Anunciou o juízo iminente de Javé, a salvação de um Resto do povo e da dinastia de David.
É considerado o grande profeta da esperança messiânica. Mais do que noutros, encontra-se nele o eco da grande esperança que orientou o povo eleito durante os séculos duros e decisivos da sua história.
3.2.João Batista apelou à conversão, como condição indispensável para receber Jesus. Conversão que é arrependimento e mudança de vida.
Lembra, hoje, o dever de cada um se preparar e ajudar os outros a prepararem-se para celebrarem devidamente o Natal, o que passa pela catequese familiar.
É convite a que saibamos aceitar as consequências das verdades incómodas. A que, respeitando as pessoas, não haja receio de denunciar os erros dos homens do poder e dos tidos como ladrões grandes. Convida também a que se saiba ser instrumento e sair no momento próprio. Sabermos deixar e dar lugar aos outros.
3.3.A Virgem Maria entregou-se plenamente à vontade de Deus e esperou, na alegria, a Sua vinda ao mundo. É a Senhora do sim. A Senhora do faça-se. A que soube acreditar e esperar.
4. Preparar a vivência cristã do Natal leva a separar o Advento da «Operação Natal» que, orientada por critérios consumistas, «obriga» a comprar coisas supérfluas e a pôr o ter acima do ser. Como que substitui Jesus pelo que chamam de pai natal.
Viver o Advento leva a refletir na dimensão escatológica e transcendental da vida. A tomar consciência de que estamos aqui de passagem. Mas enquanto estamos, a empenharmo-nos na construção de um mundo cada vez melhor: mais fraterno, mais justo, mais solidário.
Autor: Silva Araújo
Advento
DM
17 novembro 2022