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ABC – Afinal havia (como sempre) outros

Acompanho assiduamente o ABC, pelo que foi com tristeza que percebi que “dois Jurássicos” deixariam de defender as nossas cores. Um, ainda no ativo, quando vier a Braga será recebido condignamente como é nosso apanágio - refiro-me a Humberto Gomes. Outro, abandonou a modalidade e incomodou-me não o ter feito em campo para poder ser alvo de uma justa e prolongada salva de palmas por tudo quanto deu ao ABC, ao andebol e ao desporto português, sempre com uma postura exemplar e digna de registo para com todos os envolvidos na modalidade - OBRIGADO, Hugo Rocha. Mesmo com a presença destes dois gigantes entendi - e escrevi-o - que faltavam, um ou dois elementos de “peso“ - no duplo sentido que esta palavra pode ter - para ajudar ao crescimento dos “projetos” existentes, pelo que, sem eles, nesta época imaginei a chamada… travessia do deserto. Jorge Rito disse-o na antevisão do campeonato que ficar nos seis primeiros seria tarefa hercúlea. Preparei-me, pois, para o sucesso possível - acompanhar o crescimento da juventude academista em difícil contexto competitivo contra equipas com orçamentos “pornográficos”.

Com um início de campeonato a defrontar até à 5ª jornada, FCP, SCP, SLB, Águas Santas, os putativos quatro 1ºs classificados – se a futurologia me é permitida - levaram-me a temer não conseguir aquilatar o real valor da equipa, por confrontos que se perspetivavam tão…desiguais. Mas, e é nestas coisas que o desporto nos dá lições diárias, nem tudo o que parece, é. O descalabro do 1º jogo com o FCP foi aproveitado pela equipa técnica para chamar, publicamente, à responsabilidade os atletas dizendo-lhes que o peso daquela camisola exigia outro tipo de atitudes e comportamentos. A lição foi apreendida e os adeptos, e adversários, passaram a ser presenteados com exibições onde o caráter, a resiliência, a qualidade individual e coletiva dos lídimos representantes de uma escola de referência do país, colocaram em sentido SCP e SLB e foram à Maia mostrar ao Águas Santas que, afinal, por Braga continuamos a ter andebolistas a “nascer” como cogumelos.

Há quem diga que apenas 10% dos cogumelos são comestíveis e os restantes venenosos. Os nossos devem pertencer aos 90% venenosos… para os adversários, como o provam os contra-ataques, as jogadas aéreas e as entradas em espaços onde só eles acreditam caber, originando golos para todos os gostos.

No ano passado, senti-me como na escola, no início de cada ano, a tentar decorar nomes. Este ano, não. Depois de assistir aos cinco jogos já realizados, nomes como: Cláudio Silva, Rui Batista, André José, Ceballos, Erekle, André Rei, etc. já fazem parte da minha memória visual, graças à imensa qualidade apresentada. E essa qualidade individual e coletiva existe e é potenciada, porque há dois ENORMES responsáveis técnicos – JORGE RITO e CARLOS FERREIRA. É neles que a formação de excelência desagua, e por eles é refinada e potenciada. Por yudo isso, a cada ano com a equipa renovada, somos levados a dizer – afinal, havia outros.


Autor: Carlos Mangas
DM

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9 outubro 2020