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A violência nas ruas europeias

Estive duas semanas em Amesterdão em 2009, no mês de Maio. Num domingo de futebol a policia teve de fechar todo o trânsito, a cidade ficou sem transportes cerca de seis horas. Uma horda de gente onde predominava o sexo masculino invadiu as ruas que foram vandalizadas e cobertas de lixo. Esta multidão heteroclita teria de idade entre os doze e os trinta e cinco anos. Em comum tinham o mau aspeto, a cabeça rapada cheia de cicatrizes antigas, narizes deformados de fraturas anteriores e havia muitíssimos com microcefalias e com outras malformações do tipo congénito geralmente associadas ao alcoolismo materno. Traziam bandeiras, cachecóis e camisolas de um tal clube de futebol. Era um espetáculo deprimente e assustador, misto de violência, estupidez, desconcerto social. A polícia limitava-se a guiá-los (como se fossem gado), mantendo-os nas baias, para que não saíssem do trajeto (explicaram-me) habitual que segue em direção aos subúrbios onde vivem. A polícia encolhia os ombros, já estava habituada a tudo isto! Com quem os polícias holandeses foram agressivos foi para comigo, que completamente apardalada, tentei trocar impressões. Para mim, branca e europeia, os polícias foram muito agressivos.

As Polícias obedecem a planos traçados por políticos em parlamentos,aqui e em todos os países ditos democráticos. Estas manifestações de doença social grave têm aspetos terrivelmente primários e incongruentes. Esta gente, estes gunas, deixam-se filmar, ao que parece nem se lembram que há câmaras de filmar por tudo quanto é lado. Ao cabo e ao resto depois, em tribunal, os juízes não conseguem condenar pessoas tão novas e com quocientes de inteligência tão baixos, cujos pais estão na prisão ou em liberdade condicional ou, com um pouco mais de sorte, vivem de um subsídio de desemprego. Muitos destes jovens adultos têm filhos, muitas vezes mal tratados e abusados que irão alimentar as futuras hordas de aberrações sociais.

Temos todos de encarar a realidade. Não adianta nada dizer que é horrível, que é inadmissível, que é intolerável. Não adianta ficar indignado.

O que é horrível, o que é inadmissível, o que é intolerável é o total desconhecimento das pessoas ditas "normais" das causas e consequências desta realidade social. E a ausência de discussão, que não seja uma gritaria histérica e estéril sobre este assunto. A doença mental, em todas as suas variantes, é a mais contagiosa das patologias humanas. A mais desconhecida do público que lhe sofre as consequências sem lhe descortinar os porquês.

Para saber porquê, é preciso estudar e a informação está disponível! Mas é confusa, dispersa, uma nebulosa compacta de informação cientifica e não cientifica.

Concordo que é impossível tratar dos problemas de uma sociedade em que muitosdirigentes políticos querem o poder para tratar dos seus próprios negócios. Que lhes interessa a eles que a violência seja gerada pelo moinho triturador da indigência, da falta de afetos ou da falta de condições de vida. Os dirigentes políticos vorazes quando têm um rebento violento na família (acontece a todos, são as regras da natureza) protegem-no, acarinham-no, arranjam-lhe advogado, ou então, escondem-no. Internam-no numa instituição psiquiátrica.

E pergunto-me se será possível aos Juízes manterem a lucidez e integridade num País com tantos dirigentes políticos unidos para aumentarem as fortunas pessoais.

Juízes oriundos de uma classe social privilegiada, por acaso a mesma, de onde vêm os tais políticos.

De 2009 a 2019 nada mudou nesta violência urbana e sub urbana. Ou sim. Aumentou.

Sabem o que significa isenção? E como se pratica?


Autor: Beatriz Lamas Oliveira
DM

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22 setembro 2019