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A vida não é fácil…

A introdução do comando da televisão conduziu o ser humano a um estilo de vida comodista e sedentário. Aquelas tarefas que exigiam algum esforço físico, são nos dias de hoje solucionadas com um simples toque no botão e um controlo remoto simples. A facilidade em solucionar problemas pelo botão, pelo chip, pelas aplicações, pelos telemóveis, pelos drones, não substituirá, nunca, os problemas das relações humanas na sua forma de expressão mais simples.

Ou seja, à medida que a ciência, a tecnologia e o conhecimento do rendimento humano avançam, sob o ponto de vista psicológico, social e afetivo, as crianças e jovens pagam, quantas vezes a um preço muito alto, com a fragilidade e os limites do ser humano. A formação dos nossos jovens é algo que a tecnologia pode ajudar, mas nunca substituir.

Os melhores contributos que podemos facultar às nossas crianças e jovens estão ligados ao afeto, à persistência, às qualidades ou capacidades mentais e à criação de uma paixão por aquilo que fazem. O respeito, a atenção e o apoio que facultamos aos nossos jovens são fundamentais para lhes criarmos ambientes favoráveis para o gosto de se expressar, para o conhecimento e para a aprendizagem. A forma como lhes criamos cenários para a expressão da paixão pelo que fazem, mesmo que não atinjam níveis de excelência no desempenho, é algo fundamental para lhes proporcionar capacitação de competências e de evolução humana.

Todos sabemos, que fruto da ocupação profissional de muitos pais, a maior parte dos jovens portugueses passa muito tempo do dia fora da supervisão familiar, pelo que a escola, o clube, os amigos, ocupam um lugar crucial nas aprendizagens sócio afetivas. E todos sabemos, também, como o acompanhamento personalizado é difícil e precário, pois apesar da “boa vontade” e das “boas intenções”, esse apoio é muito difuso e complexo.

Assim, e neste campo, o desporto, a escola e a família têm papéis complementares, mas fundamentais, para a construção de um jovem forte e saudável. O treinador, os professores e os pais, ocupam lugares capitais para esta árdua tarefa: educar para a excelência humana. A excelência significa perspetivar grandes objetivos, e calcorrear o caminho, passo a passo, até lá chegar. E isso, para mim, é o que representa a educação: construir passo a passo, uma pessoa forte, saudável, autónoma, altruísta e dedicada.

Hoje, o individualismo e o facilitismo estão muito presentes no dia a dia de muitos jovens, em oposição com o caminho, muito mais difícil mas eventualmente mais eficaz, que é preparar os jovens para enfrentar os problemas, muitas vezes difíceis, que a vida coloca. Se quisermos educar para a vida, também temos que preparar os nossos jovens para os desafios, para os constrangimentos, para a luta e para a adversidade.

Valores esses que o “comando” (individualista e comodista) não permite atingir ou aceder. Nesta matéria o desporto tem mesmo muito a ensinar. Hoje, comemora-se o Dia Europeu do Desporto na Escola, e não há forma mais singela do que relevar a importância da Educação, como a associação entre estes dois sistemas: o desporto e a escola.


Autor: Carlos Dias
DM

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27 setembro 2019