Dificilmente se apaga da memória das pessoas a vaga de incêndios do dia 15 de outubro.Quando ainda se discutiam as responsabilidades do incêndio de Pedrógão Grande que abateu pelo fogo 74 pessoas, eis que surge nos céus de Portugal algo mais avassalador, que não se cinge a um lugar, mas praticamente a todo o País, com exceção do território a sul do Tejo.
Todo o território nacional era devastado por uma eclosão incendiária que não poupava nada e ninguém.Alguém afirmava que o diabo andou à solta nesse fatídico domingo. E um responsável dos bombeiros, o Dr. Marta Soares, presidente da Liga, no meio desse fenómeno infernal, declarou que só podia ser provocado por organização terrorista.
O que se passou parecia ter sido orquestrado por algo estranho. Na verdade, surgir fogo quase ao mesmo tempo no norte, centro e sul, leste e oeste, nos montes e em áreas protegidas, nomeadamente no secular Pinhal de Leiria, não parece ter sido fruto do acaso. Muitos fogos são fruto de pessoas débeis mentais, como a mulher de Viana do Castelo que ateou 9 incêndios. Mas ocorrências múltiplas e simultâneas são algo de estranho.
Creio que a atuação das polícias de investigação e segurança, sobretudo da Polícia Judiciária, deve ao País uma investigação célere e profunda. Como, aliás, a nossa justiça.Uma justiça que tudo desculpa e trata os criminosos com paninhos quentes, é responsável pela repetição destas tragédias.
O inferno dos incêndios que violentamente nos acometeu teve as suas origens pensadas ou impensadas, preparadas ou espontâneas e os malefícios que causou são enormes, nomeadamente na perda de vidas humanas, que, com as de Pedrógão Grande, atinge mais de uma centena (atualmente, 120).
Tem-se falado muito dos meios de combate, da limpeza dos terrenos e da prevenção em ordem ao futuro. Tudo certo. Em meu entender, a grande aposta, em ordem ao futuro, é a educação. E esta tem faltado rotundamente.
A educação devia começar pelos meios de comunicação social. Estes limitam-se a apresentar repetidamente cenários de labaredas e mais labaredas. Por que não apresentar programas de respeito pela natureza? Cuidados a ter na aproximação a zonas suscetíveis de incêndio?
Esta educação devia estar prevista nos programas de ensino, sobretudo nas disciplinas relacionadas com os espaços geográficos.Por que não existir uma disciplina de educação cívica e ambiental? A educação passa não só por palavras amigas e salutares, mas também por atos em relação a pessoas e bens naturais.
Não queremos um País de terra queimada, mas um País rico, próspero, pacífico, amigo, onde todos se sintam irmãos e felizes. Vale a pena empenharmo-nos nesse programa. Deus nos ajude e a Virgem aparecida em Fátima.
Autor: Manuel Fonseca
A última vaga de incêndios
DM
21 outubro 2017