Hoje, da mesma maneira, gostaria de alentar todos os que voltaram às aulas, ou seja, inspirar idêntica atitude de enfrentamento do novo ano escolar, de modo a que os nossos jovens se dediquem aos seus afazeres com coragem e alegria, sabendo que estão a preparar o futuro da sociedade, com o material didático que lhe proporcionam os mentores da nossa educação.
Não é possível dissociar este recomeço da vida académica sem nele incluir os pais ou as famílias que, com esforço e expectativa, enviam os seus filhos para as nossas escolas, confiantes, por um lado, de que aquilo que ensinam à sua descendência é imprescindível para que, quando terminar os seus estudos, possa começar a trabalhar com proveito e competência; por outro lado, acreditando que os conteúdos das diversas disciplinas ministradas, sobretudo nas escolas públicas, não são nem contraditórios nem lesivos dos princípios educativos que, em família, os filhos aprendem e ele lhes ensinam como primeiros, principais e naturais educadores.
Supor o contrário, seria manifestar desconfiança no ministério da tutela, porque este ensinaria aos filhos o que em casa se considerava negativo, imoral e ofensivo dos seus direitos de educadores por natureza e por justiça.
Mas como receberão os pais uma visão da família que apresenta como seus exemplos característicos ou modelares perspectivas discutíveis. O primeiro é a de um casal com um filho único solitário; o segundo um lar mono-parental, outro, uma criança que vive na casa de dois senhores com uma orientação do género própria, etc.
O filho de um amigo meu, com sete anos, chegando a casa, e depois de ter brincado e talvez andado à bulha “naturalmente” com os seus dois irmãos mais novos, viu entrar o pai, após um dia de trabalho, e foi interrogá-lo sobre um “mistério” que descobrira e não encontrara solução que o satisfizesse. “Pai, lá na escola temos um livro, onde aparece uma família, mas só com um filho. Não se vê lá nenhuma como a nossa. Nós não somos uma família por eu ter dois irmãos?”... E depois, interroga ainda o pai: “Noutra família, vê-se uma mãe com um filho, mas sem o pai. Esta mãe não precisou dum pai, como a minha mãe de ti, para andar de bebé?”... O pai sentiu-se um pouco perturbado.
Deu uma explicação rudimentar, que deixou o filho mais ou menos apaziguado, mas sentiu-se perplexo perante uma nova pergunta, esta bastante mais complexa: “Ó pai, depois também se vê uma família em que o menino tem dois pais. Não havia mãe. Qual dos pais andou à espera de bebé, o mais velho ou o mais novo?” O pai respondeu: “Deixa-me agora ir ter com a tua mãe e, depois, já te explico”.
Esta encontrava-se na cozinha, como habitualmente, a preparar o jantar. Olhou o marido de relance e ficou estarrecida. “Aconteceu-te alguma coisa? Sentes-te mal de saúde?” O marido deu-lhe o beijo da praxe. E com uma voz angustiada, perguntou-lhe: “Tu tens consciência do que andam a ensinar na escola ao nosso filho?”
Estas dificuldades não devem desanimar os pais. Pelo contrário, exige que se interessem mais por aquilo que os seus filhos aprendem e não se contentarem apenas com o seu sucesso académico. A todas as famílias, a todos os professores e a todos os alunos, votos de um bom ano escolar.
Autor: Pe. Rui Rosas da Silva
A surpresa dum pai, que desconhecia o que o seu filho aprendia na escola
DM
7 outubro 2017