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A Santa Madre Igreja é mãe de todos os seus membros

Alguns meios de comunicação social, nos últimos tempos, manifestam uma forte preocupação pelo que se passa dentro da Igreja, dando conselhos e fazendo censuras, como se fosse o que concluem e o que opinam a solução para os diversos problemas em destaque.

Melhor dito: para o problema que os alerta e leva a escrever e a comentar. E ele é: a admissão dos recasados aos sacramentos, nomeadamente aos da penitência e da eucaristia.

Que se levante esta cruzada – pedindo desculpa se o termo pode ser um pouco polémico – é um bom sinal, no sentido de que a Igreja aparece como um elemento a ter em conta na sociedade humana, pois abarca mais de mil milhões de pessoas espalhadas por todo o mundo. Ou seja: o que diz e o que faz tem relevância.

Sobretudo nesse aspecto particular referido e que foi transformado por alguns comentadores numa espécie de “escândalo” inconcebível pelo seu "retrogadorismo". Curiosamente, não revelam muito interesse por outras dimensões da sua vida, mesmo quando, por exemplo, há católicos perseguidos e martirizados em várias regiões do globo. Isso talvez não seja notícia nem aguce a curiosidade, por ocorrer em zonas afastadas do nosso meio geográfico, onde os costumes sociais são muito diferentes.

Quando, porém, uma figura importante da Igreja comenta e aconselha, com fidelidade à doutrina papal, o que é para eles verdadeiramente “inconcebível”, como atrás se observou, a sentença é condenatória. Afunilando o alvo das suas setas virulentas numa única direcção, chegam a perguntar o que se passa na cabeça desse dirigente eclesial, como se estivesse transtornada ou bloqueada. E nem vale a pena citar alguns ditos pouco felizes e de mau gosto, saídos em “medias” de referência, e mais próprios dum jornal sensacionalista ou “popularucho”.

Este problema do acesso dos recasados aos sacramentos não é uma preocupação da Igreja nascida agora. É uma questão que sempre a ocupou. O que o Papa Francisco pede, na exortação Amoris Laetitia é que se tenha para com as pessoas que se encontram em tais situações a maior caridade, procurando tratá-las com toda a abertura possível, a fim de que se sintam abraçadas pela Igreja e não postas de lado. Não quis, como afirmou, alterar a doutrina de sempre.

Quando designamos a Igreja como “Santa Madre Igreja”, revemo-la como a mãe duma família numerosíssima. Tem muitos filhos. Alguns, no seu caminho, tiveram percalços. Uma boa mãe não corta relações com eles. Procura, sim, abraçá-los e proporcionar-lhes o seu zelo insubstituível com a maior compreensão, dentro das possibilidades que tem para manifestar o seu amor maternal.

No entanto, não vamos limitar as atenções da Igreja ao problema dos recasados. Quem dera que outras instituições humanas mostrassem o mesmo afecto e a mesma liberalidade para com os elementos que as compõem e passam por situações complexas.

Por justiça, as atenções da Igreja dirigem-se a todos os seus filhos. Incluindo os que, ao contraírem matrimónio, aceitam a graça que este sacramento lhes confere, preparando-se bem e adequadamente para todas as eventualidades difíceis com que eventualmente vão chocar e mantêm, como consequência do seu amor, a indissolubilidade do vínculo, a fidelidade, a generosidade que Deus lhes confere ao facultar-lhes a vinda ao mundo dos filhos, a luta quotidiana por educá-los bem e cristamente, as dificuldades materiais ou de outro tipo que podem sempre surgir, enfim, o que milhões de casais cristãos, em todo o mundo, conhecem e vivem com alegria, mesmo quando o sofrimento lhes toca à porta. A Igreja é Mãe de todos. E a todos está disposta a envolvê-los na caridade profunda com que Deus a erigiu.


Autor: Pe. Rui Rosas da Silva
DM

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24 fevereiro 2018