OPresidente da República deu um singular exemplo institucional de proximidade com as populações vítimas das duas tragédias dos incêndios em Portugal, que causaram, para já, 110 perdas de vidas humanas, elevados prejuízos patrimoniais e ambientais e as impagáveis sequelas físicas e psicológicas dos feridos graves, dificilmente recuperáveis dos sinais de extrema violência da vivência feroz a que foram sujeitos.
Pressupõe-se que após o “puxão de orelhas” já tardio ao governo, as vozes “cor-de-rosa” não terão gostado do reconhecimento dos portugueses pela postura de Marcelo Rebelo de Sousa junto dos cidadãos abanados pela tragédia, despidos do seu património, enlutados pelo desaparecimento fatal dos seus familiares e desapoiados por um regime governativo persistente na nulidade do seu dever.
Depois de casa roubada, trancas à porta ou mudança de fechadura. A reforma do Plano Nacional de Florestas, estagnado quase uma década, com uma Protecção Civil ineficaz e moribunda, movendo-se um estado de sítio perplexo e confuso no cerne das competências entre os operacionais no terreno e os “doutos” especialistas de gabinete, tutelas ministeriais de fragilidade hierarquizante, lágrimas de “crocodilo” politizadas, má gestão ou digestão do primeiro-Ministro perante a grave situação como um marco negro da história das catástrofes deste país, nada mais resta senão, e mal, vir agora com um “folclore” de promessas de que agora nunca mais serão como dantes a um preço que terá um custo aos contribuintes na ordem dos 400 milhões de euros para recuperação económica das zonas atingidas, reforma da floresta, incluindo a revitalização logística dos meios estruturalmente preventivos e de combate a incêndios, para que nunca se repitam tragédias onde a incúria parece ser a chave mestre.
O Presidente da República teve a humildade, coisa ausente no governo “gerigonça”, de pedir desculpa aos portugueses. Escutou incansavelmente as emoções das vítimas, manifestou uma transparente solidariedade emotiva e arrepiante aos nossos olhos. A sua presença física acalmou a indignação e a revolta dos lesados, estimulou a esperança e o ânimo de refazer uma vida desgraçada em poucos instantes.
Obviamente que a atitude nobre e altruísta do Presidente da República com as populações vítimas da tragédia dos dois incêndios não ressuscita os seus entes queridos, falecidos nas “amarras” da crueldade consequentes de uma situação de mútua acusação, onde todos os envolvidos pretendem lavar as “mãos da consciência”.
O jornal “Acção Socialista”, na sua última edição, refere com toda a propaganda e pompa circunstancial cor-de-rosa que “António Costa, que foi recebido com grande simpatia pela população destes três municípios, assumiu que esta tarefa de reconstruir as primeiras habitações que foram parcial ou totalmente destruídas pelos incêndios florestais de Junho “é um sinal importante” num momento em que “temos agora uma tragédia que, do ponto de vista material”, acrescentou, “tem uma outra dimensão”, referindo-se aos incêndios de 15 e 16 de Outubro, que em boa verdade, e no terreno da visão presencial, não é de todo verdade, ficando muito aquém do propalado.
Parabéns ao Presidente da República de Portugal pela grandeza da sua intervenção atempada junto dos portugueses, atitude que os políticos vão ter que ter e fazer formação cívica neste contexto e deixarem-se das mordomias da vaidade dos cargos que ocupam, para perceberem que foram eleitos pelo povo e a ele devem-lhes respeito e dignidade em nome dos seus legítimos superiores interesses públicos.
Autor: Albino Gonçalves
A rota das cinzas…
DM
30 outubro 2017