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Os intermináveis confinamentos da Pandemia reforçarão, de início, o amor à Liberdade). Passados que sejam alguns meses após a futura provável cura da terrível e desastrosa infecção de origem asiática (mais uma, que de lá vem), os Povos vão, em boa medida “esquecê-la”. E regressar ao seu quotidiano algo alienado, em que pontificam as telenovelas, os “reality shows” e o futebol “despedigrizado” (mas movimentador de fluxos estratosféricos de capital), que hoje os “traficantes de talentos” intercontinentais conseguiram tão saloiamente impor a quem gosta de desporto. As coisas más, são frequentemente aquelas que, uma vez ultrapassadas, todos procuram “esquecer”; isto é, guardar num canto esconso da memória, tal que não atrapalhe a nossa esperada felicidade futura. Pouco vamos “aprender” com esta terrível experiência. Para aqueles que sobrevivem fica decerto, nos meses ou anos imediatos, isso sim, uma (re) valorização da ideia de Liberdade Individual; essa que antes do Covid-19, nós tínhamos a rodos, mas da qual nem nos dávamos conta. Quando se reinstalar essa Liberdade, o conta-quilómetros da Política regressará à marca em que estava por meados de 2019; e a valorização dela, provocada pelos confinamentos, irá aos poucos diminuir e regressar aos antigos níveis, mais modestos. E a discussão do “dilema Autoridade-Liberdade” poderá prosseguir, em moldes bastante semelhantes aos antigos.
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A pandemia pode significar um atraso na subida dos Nacionalismos). Pelas razões atrás expostas, as pessoas tenderão a contentar-se, quando a pandemia passar, com a restauração do “statu quo ante”, o que existia antes dos confinamentos. Valorizarão em 1.º lugar, a liberdade individual recuperada; e por algum tempo, as mais que justas reivindicações nacionalistas e identitárias voltarão provavelmente a passar para 2.º plano, durante alguns anos. Mais. Como a pandemia trará fortes problemas económicos e financeiros, o Autoritarismo que alguns já viam como meta alcançável a breve trecho, numa perspectiva de Direita, passará a ter igual ou superior número de adeptos confessos, na metade esquerda do eleitorado. O Comunismo pode voltar a crescer. Por isso era bom que esses regiamente pagos deputados e burocratas da Comunidade Europeia lançassem, a tempo, água sobre essa fogueira, dando dinheiro a fundo perdido. Porém, às tantas, tal o seu ódio aos Nacionalismos, demorarão tempo a fazê-lo, deixando a Esquerda (que pensam controlar) crescer, roubando assim, votos dos identitários e nacionalistas. Aposto…
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Vingança sobre os “confinadores”). Independentemente de merecerem ou não, Costa e o seu razoavelmente desajeitado acólito Rui Rio (se este continuar líder do PSD), irão, nas eleições que se seguirem aos intermináveis e ruinosos confinamentos (mesmo que estes, em parte, se justifiquem) ser severamente punidos pelo eleitorado. Irá acontecer-lhes o que aconteceu a Churchill nas eleições britânicas de 1945 (em que perdeu para a oposição trabalhista). E passariam menos de 10 anos, antes que o Labour começasse a desfazer-se do tão precioso e vasto Império Britânico… A breve trecho seguido, na aleivosa tarefa, pelo próprio partido “Conservador” (processo terminado em 1980 por Thatcher, com o imprevisto abandono da rica Rhodesia-Zimbabwe); apesar de ela ter acabado de enviar uma forte armada para recuperar as pobres e frias Malvinas, dos argentinos de Videla…). Quanto a Churchill, vencedor na 2.ª Guerra, o povo não lhe perdoou os sofrimentos (“blood, sweat and tears”) que os fez passar no conflito (bombardeamentos a Londres, Coventry, Birmingham, muitas dezenas de milhares de soldados e marinheiros mortos).
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Também se morre, por obra dos confinamentos…). O local do confinamento (p. ex., um andar pequeno, uma casa com poucas condições) pode contribuir para a doença ou morte do confinado, sobretudo se ele sofrer de certas doenças cardio-vasculares, nervosas, mentais, etc.. Quem quer que esteja preso, envelhece mais rapidamente, adoece, perde anos na sua longevidade. Por isso também, é que uma detenção criminal (numa prisão a sério, claro) é um castigo. Os confinamentos tendem também a gerar situações de ilegítimas opressões, p. ex., sobre pessoas de idade, mulheres, crianças. É muita “violência doméstica”, muito crime que fica escondido…
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O erro do “recolher obrigatório”, ou dos seus horários). Devido ao uso (e abuso) do café, para muita gente, especialmente nas cidades do centro e sul, o recolher obrigatório às 23 horas, é uma violência, com efeitos óbvios na saúde cardio-vascular, mental e nervosa. Já para não falar nos imensos prejuízos para restaurantes e cafés. O mesmo se diga de, aos fins de semana o recolher ser às 13h. (em vez de ser às 16 ou 17 horas), por idênticos motivos. Além de concentrar na parte da manhã as compras dos hipermercados. E de desorganizar totalmente o lazer (e o trabalho) de muitas pessoas.
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“Fronteiras”, dentro das cidades…). Outro aparente disparate é criar fronteiras intransponíveis dentro das grandes cidades, uma vez que durante o resto dos dias elas são livremente ultrapassadas. Não poder passar do Porto para Gaia, Matosinhos ou Gondomar; ou de Lisboa para Oeiras ou Amadora, é um absurdo.
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“Treino” para ditaduras?). Estas inéditas e gravíssimas intromissões na Liberdade e esfera privada de todos os cidadãos (que são o recolher obrigatório e o confinamento) têm o perigo de lhes desvalorizar o amor-próprio e auto-estima. De os fazer passar por uma duradoura e discutível experiência que não é menos penosa que a vida em Ditadura…
Autor: Eduardo Tomás Alves