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A opinião da criança

“A criança é feita de cem. A criança tem cem mãos, cem pensamentos, cem modos de pensar, de jogar e de falar. Cem, sempre cem modos de escutar as maravilhas de amar (…) Cem mundos para descobrir. Cem mundos para inventar. Cem mundos para sonhar. Dizem-lhe: de pensar sem as mãos, de fazer sem a cabeça, de escutar e de não falar, De compreender sem alegrias, de amar e maravilhar-se só na Páscoa e no Natal. Dizem-lhe: de descobrir o mundo que já existe e, de cem, roubaram-lhe noventa e nove. Dizem-lhe: que o jogo e o trabalho, a realidade e a fantasia, a ciência e a imaginação, O céu e a terra, a razão e o sonho, são coisas que não estão juntas. Dizem-lhe: que as cem não existem. A criança diz: ao contrário, as cem existem.” (poema de Loris Malaguzzi). A Convenção sobre os Direitos da Criança pontua que a criança tem direito à liberdade de opinião.

Falar de direitos da criança é falar, também, da sua opinião. A criança tem o direito de ser informada, de expressar as suas ideias, de se envolver, participar e sentir-se parte importante como membro da família, devendo sempre ser ouvida e consultada em decisões que envolvam a sua vida, de acordo com a sua idade e o seu nível de desenvolvimento.

Esta preparação é fundamental para que os mais novos venham a ser adultos com opinião, uma vez que há muito a crença de que as crianças são muito novas para terem opinião. Se não trabalharmos estas questões, numa fase adulta teremos gerações com uma opinião pouco ativa e consciente, sobre assuntos importantes para a mudança da Humanidade.

A participação e o seu direito a ter uma opinião, permite-lhes refletirem sobre questões que as rodeiam, contribuindo para a tomada de decisões e, simultaneamente, ampliar a capacidade de análise, diálogo e comunicação, desenvolvendo competências como agentes de mudança de uma forma consciente e responsável.


Autor: Carla Oliveira
DM

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24 novembro 2022