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A morte recente de dois descolonizadores

  1. Isabel II e Gorbatchov, duas mortes sincrónicas, duas obras comparáveis). Ainda não tinha acabado este verão de 2022 e aconteceram, quase ao mesmo tempo, os já há muito esperados falecimentos daqueles 2 personagens históricos, que tanto influenciaram (provavelmente contrariados…) o evoluir do Mundo e da História, na 2.ª metade do séc. XX. A então muito jovem rainha de Inglaterra, que foi “assinando de cruz”, nos anos 50 e 60, todas as perdas territoriais coloniais da Grã-Bretanha (apesar de este país ter acabado de vencer a 2.ª Guerra Mundial, e com imensas baixas, civis e militares…). E o toda a vida conhecido por “Tavarichtch Garbatchov” (camarada Gorbatchov). O qual, iludido por Reagan, acabou por ser uma espécie de “aprendiz de feiticeiro”: sem prever as consequências (por falta de cultura histórica e política), despoletou um bem intencionado processo de reestruturação (“perestroika”) e de transparência (“glasnost”), que rapidamente se tornou uma revolução democrática e fortemente amputadora do território do Estado federal moscovita; o qual agregava todas as repúblicas soviéticas da ex-URSS. Incluindo duas partes nucleares, das 3 que compõem o Estado Russo histórico (que foi fundado por Rurik, há 1200 anos…); e que são a Bielo-Rússia e a Ucrânia. Esse “desastre” ocorreu em Moscovo, no fugaz consulado do etílico Yeltsin e com a decisiva colaboração revolucionária das muitas minorias hostis moradoras na capital (é sempre assim, nas revoluções…). Sobretudo, como é costume, da elitista colónia judaica, tão perseguida pelos czares e, mais tarde, por Stalin. Por isso, tão inimiga mortal da Rússia, até ao presente. É que, nem disfarça…

  2. Um funeral digno dum faraó). O funeral de Gorbatchov foi relativamente discreto. Nem Putin, coerente com a sua censura ao papel histórico do falecido, esteve presente. Apenas enviou condolências. Já o funeral da velha rainha, esse foi quase inultrapassável, do ponto de vista de duração, solenidade e garbo. O próprio herdeiro e sucessor, Carlos III (e esposa), apesar de septuagenários, aceitaram marchar por kms ao ritmo cansativo do lento cortejo. O “Sistema”, que desde a morte da imperatriz Victoria (1901), governa a Grã-Bretanha através das sociedades secretas (com mais de 6 milhões de membros, pensa-se), organizou e pagou toda aquela imensa operação de propaganda a favor de uma ficção: a de que um monarca inglês tem ainda hoje alguma espécie de poder político efectivo. Com Carlos se verá. Porém, com a sua mãe e seus antecessores, essas forças hostis, estrangeiras e secretas dominaram a política britânica por todo o séc. XX e até hoje.

  3. O maior “bouquet” de flores, no funeral do meu Pai). O falecimento prematuro do meu Pai, aos 58 anos de idade, foi muito sentido, inclusive na aldeia onde nasceu e onde foi sepultado. Fora prof. universitário de Matemática durante 29 anos. E era também proprietário agrícola, dono inclusive de alguns pequenos espaços florestais. E já se sabe como são os negócios com madeireiros, especialmente os de proprietários algo absentistas (os quais saem sempre a perder, embora, como a rainha de Inglaterra, assinem quase sempre “de cruz”). O snr. Fernando, o nosso madeireiro, homem de boa planta física e olhos azuis (parecia uma estrela de filmes de “cowboys”), mas pessoa sempre educada e grata, foi quem, de longe, trouxe mais flores às exéquias do meu Pai. Provavelmente porque lhe devia muitos favores negociais; e assim manifestou a sua gratidão. O mesmo se passou no funeral de Isabel II, alvo da gratidão entusiástica dos israelitas e hindustânicos “locais”, novos senhores e colonizadores improváveis da cada vez mais hooligânica, ridícula, timorata e fleugmática “ilha do circo Monty Python”.

  4. Suores frios à chegada à velha Abion). A Inglaterra de hoje está tão decadente, tão diferente para pior, daquela que eu conheci na infância e juventude… As gloriosas travessias de barco, a aproximação das brancas falésias de Dover, a espuma do mar. E depois, os severíssimos polícias aduaneiros, que vasculhavam os cantos da caravana e perguntavam quanto tempo ficaríamos… Contudo, como o cavaleiro medieval Magriço, cá estou eu ainda e sempre, para louvar a beleza das britânicas. E para defender (entre outras) as cores do Tottenham, do Everton e do Arsenal.

  5. Gorbatchov e Jorge Amado, entre as minhas “glórias pessoais”). Amado (cujo pai era Faria) é um dos meus heróis literários. E orgulho-me de ter sido, em criança, pintado 2 vezes, por um pintor feirense (António Joaquim) que também retratou o escritor, em 1992. Quanto ao misterioso Miguel Gorbatchov (“Miszka su Lokiu, abu du tokiu”, diz o provérbio lituano, cf. Prosper Merimée), quanto a ele, posso-me gabar que conheci por 7 anos, e bem de perto, o jornalista geresiano (de esquerda) César Príncipe; o qual se pode também gabar de ter sido o único português que fez uma (longa) entrevista ao então chefe da URSS. E outra, ao anterior patriarca ortodoxo de Moscovo. Isto, quando eu comecei a colaborar no JN, do Porto, nos anos 90.


Autor: Eduardo Tomás Alves
DM

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1 novembro 2022