Vou continuar a escrever sobre este assunto para poder desabafar, mais um pouco, sobre um grande problema que está a afetar o ensino e consequentemente o nosso futuro, pois é altura de reagirmos perante tanta falta de respeito que há nas nossas escolas, tanta falta de interesse pelo estudo, tanta falta de interesse pelas regras estabelecidas, tanta falta de iniciativas, nesta matéria, dos nossos governantes, dos responsáveis pela política da educação, enfim, um enorme problema que urge solucionar, caso contrário, estamos a deixar degradar um “edifício” muito importante, diria, essencial para nele podermos viver.
É tempo de dar a autoridade necessária aos professores para poderem agir em casos de indisciplina e de ausência de regras. É tempo de se deixar de gastar tanto dinheiro em comissões e mais comissões, em ações de formação e em tantas outras iniciativas que ficam, não quero generalizar, mas não estou a ver os frutos desejáveis.
É tempo de atuar, é tempo de não deixar cair o respeito pelas diversas funções de cada interveniente no processo educativo. É tempo de dar aos professores o que é dos professores; de dar aos pais/encarregados de educação o que é dos pais/encarregados de educação; de dar aos auxiliares da ação educativa o que é dos auxiliares de ação educativa; de dar aos alunos o que é dos alunos; em suma, já Cristo com a Sua Divina Sabedoria dizia: «dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus», isto é, cada coisa e cada pessoa no seu devido lugar.
Os alunos quando entram numa escola devem assumir aquele espaço como um local de formação onde vão continuar a ser orientados por pessoas preparadas, científica e pedagogicamente, para os ensinar, motivando-os com os variados processos de ensino/aprendizagem, fazendo tudo para que possam formar cidadãos úteis na sociedade.
Devem saber e aceitar todas as normas estabelecidas para as salas de aula, para os recreios, para os espaços de apoio ao estudo e para tantos outros locais, respeitando sempre todos os agentes educativos. É salutar saber conviver com os próprios colegas, deixando-os livres de acordo com as suas capacidades e com a sua maneira de ser.
Os pais/encarregados de educação não devem ultrapassar as suas atribuições como educadores e pessoas que desejam o melhor para os seus filhos, mas sim como agentes complementares, sobretudo no incentivo, no apoio ao estudo, dentro das capacidades e formação de cada um, numa sequencialidade escola/casa no desenvolvimento programático, no cumprimento das normas disciplinares e em tudo aquilo que a escola vai dando aos seus educandos.
Em casos anómalos, nunca agir, nem maltratar, seja quem for, sem primeiro falar, dialogar com as partes envolvidas. Nunca pensemos que os nossos filhos são incapazes de praticar aquilo que não é desejável.
Para isso, é imperioso estar alerta, indo à escola falar com os agentes educativos, sobretudo com o diretor de turma, elo de ligação, representante da família na escola. Estejam vigilantes e ajudem os professores a educar, não tolerem faltas de respeito para com os colegas, auxiliares de educação e professores.
Professores, muita força nessa tão nobre profissão, todos passamos por aí e sabemos quão importante é ser educado, estar atento nas aulas, cumprir o que por vós é estabelecido e ensinado.
Continuai, fazei tudo para inverter toda uma corrente que vos está a afligir, porque quereis ordem, educação, boas maneiras, atenção nas aulas para que os vossos alunos possam progredir, atingindo as metas que tanto desejais: formar cidadãos bem preparados para a vida em sociedade.
Governantes, não deixem que as escolas se tornem espaços indesejados por tantos encarregados de educação e alunos que pretendem ser devidamente bem formados e que sofrem, são maltratados pelos colegas que andam na escola apenas a impedir o seu bom ambiente, não respeitando os colegas e os próprios professores.
Deem a devida autoridade aos docentes, fazendo respeitar as hierarquias. Legislem, não para somar decretos, mas para, de uma vez por todas, dar às escolas as verdadeiras estratégias para que se possam formar cidadãos em pleno.
Vejam o exemplo de tantas escolas privadas, onde não há faltas de educação, onde os alunos trabalham em pleno e têm sucesso, onde os professores têm o apoio necessário e são respeitados, porque há regras que se fazem cumprir, caso contrário, não há contemplações e os alunos que não cumprem sofrem o verdadeiro castigo.
Aluno, fermento de distúrbios, não pode continuar e fazer-se herói perante os que querem respeitar as normas.
Autor: Salvador de Sousa
A indisciplina e a falta de regras são fatores destruidores da educação (2)
DM
13 fevereiro 2019