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A importância das eleições presidenciais

No próximo domingo terá lugar a eleição para Presidente da República, o mais alto magistrado da nação, um dos órgãos de soberania e o Chefe do Estado português.

Tratando-se de um ato sempre importante, nas circunstâncias atuais a sua relevância é seguramente ainda muito maior. De facto, se atendermos à conjuntura interna e olharmos para as incertezas que envolvem o futuro, rapidamente chegaremos a esta conclusão.

Na realidade, trata-se de um ato eleitoral ímpar na história da democracia portuguesa, dadas as circunstâncias em que se realiza. Com efeito, a situação pandémica que o país atravessa, que levou a que vivamos em estado de emergência e num confinamento parcial, está a condicionar de modo sem precedentes as respetivas campanhas eleitorais. Apesar dos modernos meios audiovisuais disponíveis e das novas formas de comunicar, estas circunstâncias limitam significativamente a aproximação dos candidatos aos eleitores.

Além desta situação verdadeiramente excecional, o contexto em que estas eleições se desenrolam também não deixa de ser atípico tendo em conta que é opinião largamente difundida e apoiada por diversos estudos de opinião que o vencedor será o atual Presidente da República e agora recandidato. Parece que há apenas uma corrida para saber quem será o segundo e o terceiro e, na minha simples opinião, isto não só acarreta perigos de fazer aumentar a abstenção, mas também, quiçá, tornar possível alguma surpresa de última hora, que ninguém espera.

Neste sentido, apesar da conjuntura em que presentemente todos vivemos, por um dever de cidadania, com todos os cuidados que a situação pandémica exige, ninguém em pleno gozo das suas capacidades se deve abster de votar. O ato de votar é um direito e um dever que não deve ser alienado por quem tem amor por si próprio, à liberdade e à democracia, sobretudo neste tempo de grandes perigos e de muitas inseguranças.

Perigos e inseguranças que decorrem da situação pandémica que não sabemos como irá evoluir e, principalmente, pelas suas consequências devastadoras na saúde, na economia e na sociedade em geral. Riscos e receios do que aí pode vir em resultado da fadiga e do desgaste do Governo de António Costa que se vê a braços com uma situação complexa e que, no fim do primeiro semestre, ainda terá de fazer o balanço da sua presidência da União Europeia. Perturbações e incertezas resultantes da fragilidade dos apoios parlamentarem que sustentam o seu governo minoritário e que, no próximo outono, terá de fazer aprovar na Assembleia da República o orçamento de estado para 2022 e de enfrentar umas eleições autárquicas que, infelizmente, irão decorrer num clima de muitas debilidades. Dúvidas e perplexidades por ainda não se vislumbrar no centro-direita do espetro político português uma alternativa mobilizadora e consistente de governo que nos tranquilize.

Neste cenário tão realista como sombrio, para caucionar alguma estabilidade e garantir uma âncora que nos possa dar algum conforto e proteger de inquietações e de angústias, é importante que Marcelo Rebelo de Sousa garanta a sua reeleição à primeira volta e por números que lhe reforcem a legitimidade e o poder. No futuro, não muito longínquo, a magnitude destes números pode fazer toda a diferença.

As eleições presidenciais do próximo domingo são demasiado importantes para que delas nos afastemos. Com todas as cautelas que a grave situação sanitária impõe, que ninguém deixe de abandonar o confinamento a que está obrigado para exercer livremente o seu voto

Com todo o respeito que todos os candidatos me merecem, Marcelo Rebelo de Sousa, pela independência que já demonstrou, pelo seu cariz humanista sempre presente, pela sabedoria e pela experiência que conquistou ao longo do seu percurso de vida, é o candidato melhor colocado para servir Portugal nesta autêntica encruzilhada em que vivemos.


Autor: J. M. Gonçalves de Oliveira
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19 janeiro 2021